Sair com estilo

Publicado em: 08/04/2020

Numa tarde de outono, sábado de sol de brigadeiro, Aurélio queria curtir a vida. Ao encontrar o melhor amigo, Tomaz, o convidou para um passeio. Tomaz, tímido e sem dinheiro disse ao amigo, o sempre bem humorado e otimista Aurélio que não havia nada em mente nem no bolso.

Aurélio disse que havia gasolina no carro e isso era mais do que suficiente. O amigo otimista estava bem vestido e aguardou que o tímido e receoso companheiro se arrumasse. Lá pelas 16h horas e antes de entrar na BR 101, Aurélio pergunta a Tomaz:

– Norte ou sul, esquerda ou direita, rumo a Governador Celso Ramos ou à Pinheira?

– Tanto faz, Aurélio. Sul. Para os lado de Santo Amaro.

Aurélio aumentou o volume, Dire Straits. Tomaz sugeriu entrarem em Santo Amaro, quem sabe visitar Caldas da Imperatriz. Aurélio topava qualquer coisa que não fosse ficar em casa. Já em Santo Amaro perceberam uma movimentação incomum e parecia haver alegria, gente bem vestida. Aurélio parou o carro e baixou o vidro. Tomaz questionou a atitude do amigo. Aurélio sem saber do que se tratava arriscou perguntar a um senhor:

– Boa tarde, senhor. O evento será aqui mesmo?

– Boa tarde, amigo. Sim. A cerimônia foi rápida. Já vamos para o salão de festas. O jantar será aqui. Claro, bom baile, boa comida e boa gente.

Com a cara de pau de sempre Aurélio disse ao senhor que devido ao trabalho não conseguiram chegar a tempo para a parte religiosa. O simpático senhor disse que os noivos ficariam contentes em vê-los na festa, não imaginava que não os conheciam e tampouco foram convidados. Aurélio tentou animar Tomaz que disse que não entraria em uma festa sem convite. Aurélio disse que o estava convidando com boa vontade. Tomaz voltou a chamar o amigo de cara de pau e que iriam acabar passando vergonha. Aurélio criticou com delicadeza o pessimismo e desânimo do amigo. Saíram do carro e foram em direção ao salão de festas. Tomaz travou. Aurélio o puxou pelo braço e começou a perguntar em voz alta sobre o presente do casal e ele mesmo respondeu que estava no carro. Vários convidados ouviram. Conseguiu fazer o amigo pessimista e realista rir. Ainda assim Tomaz disse que aquilo não era certo, não foram convidados, não conheciam os noivos, nem seus parentes e amigos, que todos notariam e passariam vergonha. No exato momento de entrarem não havia ninguém cuidando da entrada do salão. Ousado como sempre Aurélio perguntou a um garçom sobre alguma mesa vaga porque chegaram atrasados. O simpático garçom sem saber que se tratava de dois bicões conseguiu um lugar para eles.

– Então, Tomaz, tranquilo, contente? Já vão servir o jantar. Ouviu o que o rapaz da mesa ao lado falou? Pelo menos 5 tipos de carnes, além do galeto, linguiça e coração. Ele também falou em maionese, polenta, palmitos; que maravilha. Além de chope super gelado e vinhos.

– Isso ainda vai acabar mal, Aurélio. E se alguém nos reconhecer, quero dizer, se ninguém nos conhecer; ah, tu entendeu. É nossa vez de nos servir. Meu Deus, vamos lá.

Aurélio completamente tranquilo, Tomaz achando uma delícia, mas sempre desconfiado; ambos se serviram 3 vezes. De repente os noivos começam a cumprimentar os convidados de mesa em mesa. Aurélio mantém o sorriso, Tomaz fica apavorado.

– E agora Aurélio? Ele vai nos reconhecer, quero dizer, vai saber que não nos conhece e não fomos convidados. Que vergonha.

O noivo, um rapaz de aproximadamente 30 anos, com ar de alegria e simpatia se aproxima da mesa dos penetras e diz:

– Boa noite, rapazes! Percebi faz cerca de uma hora que não conheço vocês. Minha noiva disse o mesmo. Que tal a festa? Foi preparada com muita antecedência para nós, nossos familiares e amigos. Por favor, se já estiverem servidos gostaria que saíssem sem transtornos. Isso é possível?

Tomaz completamente vermelho e ofegante. Aurélio numa paz inexplicável. Ambos levantaram-se e Aurélio disse em alta voz para que várias pessoas pudessem ouvir:

– Desejamos muitas felicidades ao casal, a bela família que acaba de nascer. Por favor, perdão por ficarmos tanto tempo sem dar notícias e pelo atraso. Aliás, na correria acabamos deixando seu presente lá no carro. Vou precisar de ajuda, Tomaz, pode me acompanhar, por gentileza. Com licença.

A noiva se aproximou e perguntou se os conhecia de algum lugar. Ele disse que não. Ela indagou ao noivo como conseguiu fazer os dois saírem sem escândalo. O noivo disse:

– Eu não sei. Mas confesso que nunca vi nenhum penetra sair com tanto estilo.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *