Se a moda pega, o futebol pelo rádio sai do ar

Publicado em: 19/04/2008

A diretoria do Atlético-PR decidiu, a partir do Campeonato Brasileiro deste ano, cobrar a título de direito de arena R$ 15.000,00 de cada emissora de rádio, que transmitir uma partida do rubro-negro do Paraná, em qualquer cidade onde o time atuar.
Por Sérgio Guimarães

Se a moda pega, o futebol pelo rádio sai do ar
A diretoria do Atlético-PR decidiu, a partir do Campeonato Brasileiro deste ano, cobrar a título de direito de arena R$ 15.000,00 de cada emissora de rádio, que transmitir uma partida do rubro-negro do Paraná, em qualquer cidade onde o time atuar.
Por Sérgio Guimarães

 A decisão do Atlético-PR caiu como uma bomba entre as emissoras de Curitiba e repercutiu nacionalmente, gerando em todas as equipes esportivas um sentimento de revolta e indignação.

 

A repercussão foi tão grande que a ABERT, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, decidiu interceder a favor das rádios, por considerar a decisão do furacão esdrúxula, absurda e ilegal. A entidade promete que lutará na justiça, se preciso for, para defender o direito adquirido das emissoras de transmitirem qualquer jogo.

 

Se a moda pega e todos os clubes se acharem no direito de exigirem R$ 15.000,00, de cada uma das milhares emissoras de rádio espalhadas pelo Brasil, o futebol pelo rádio sairá do ar, pois será impossível para as emissoras arcarem com o pagamento dos direitos de arena de cada um dos clubes, dos quais faz a transmissão.

 

Vamos fazer uma conta rápida, se todos os clubes da Série A quiserem cobrar os R$ 15.000,00 pela transmissão de cada um dos seus jogos, cada emissora teria que pagar R$ 570 mil a cada um dos 20 clubes, o que daria R$ 11 milhões e 400 mil pela transmissão do Campeonato Brasileiro deste ano, o que convenhamos, inviabilizaria as transições, por um único motivo: as emissoras, nem as maiores, têm esta verba disponível.

 

O Atlético-PR esquece que se hoje ele e todos os clubes do futebol brasileiro têm legiões de fãs, em todo o país, isso em muito se deve a ampla cobertura que as rádios dispensam diariamente aos clubes e a transmissão dos seus jogos, evento que o rádio brasileiro faz desde 1927 e que implementou definitivamente a partir da década de 40.

 

O Atlético-PR esquece que se o seu departamento de marketing consegue fechar diversos negócios e patrocínios para o clube, muitos destes patrocinadores entram no futebol porque sabem que seus nomes serão massificados pela cobertura maciça que o Atlético-PR recebe diariamente nas rádios de Curitiba e do Brasil, ou alguém se esqueceu de quantas vezes ouviu falar da Kyocera, empresa fabricante de telefones celulares, que até bem pouco tempo dava nome ao estádio do Atlético, mediante milhões de reais ao ano.

 

Vou ficando por aqui, esperando que o presidente da ABERT, Daniel Pimentel Slaviero, consiga demover a diretoria do Atlético de tal medida, pois os clubes não podem agora, que estão estruturados e têm milhões de torcedores Brasil afora, cuspirem no prato onde comeram a vida toda e deixarem seus torcedores à mercê apenas do elitista “pay-per-view”, privando-os das democráticas transmissões pelo rádio, veiculo que se não paga direito de arena aos clubes, também não cobra dos seus torcedores um centavo, que seja, por suas transmissões.

 


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