Se não há ouvintes, por que arrendam as rádios?

Publicado em: 15/03/2009

O rádio brasileiro passa por grandes dificuldades. A coisa vem acontecendo e se avoluma cada vez mais. Além da enxurrada de concessões feita por diversos governos, há outros problemas a considerar. Por Renato Monteiro
Primeiro alguns radiodifusores deixaram sucatear os transmissores de ondas curtas. De repente, começaram a se desfazer deles. Os tradicionais ouvintes desta faixa ficaram a ver navios. Depois deixaram que deteriorassem os transmissores de ondas médias e passaram a arrendá-los ou vendê-los para empresas que modificaram estruturalmente as programações das emissoras.

E aqueles fiéis ouvintes das ondas médias foram desrespeitados. Tudo isso baseado na falsa premissa de que não há mais ouvintes para este tipo de transmissão. Os ouvintes de agora preferem o rádio pela internet – dizem ser melhor. Tolo engano. É imensurável o número de ouvintes das ondas médias, gente que gosta até de seu som característico e lá nos cafundós do interior brasileiro há muita gente lamentando o desaparecimento de certas emissoras de ondas curtas. Sintonizando-as tinham diversão e ficavam informados do que acontecia no Brasil e no mundo. Gente humilde, sem contato com computadores. Mas ouve rádio. Engraçado, se não há mais ouvintes por que alguém arrenda ou compra as emissoras?

Finalidade é desvirtuada
Nessa leva de novos rádios difusores vieram muitos sem qualquer afinidade com o meio. Nada contra suas preferências políticas ou crenças religiosas. Nada contra terem emissoras de rádio, desde que não desfigurassem as características primordiais à boa radiofonia e que não entregassem as emissoras nas mãos de ineptos em substituição a profissionais autênticos e competentes.

Ao mesmo tempo em que isto vem acontecendo, o mercado de trabalho vai escasseando e muitos profissionais perderam seus empregos. A radiodifusão foi invadida por muita gente totalmente destituída de requisitos essenciais à atividade radiofônica, a sensibilidade e o talento. Nem todos servem para esta profissão.

Essa “degringolada”, causada por estes novos e improvisados radiodifusores e radialistas, causa uma série de inconveniências. As emissoras perdem a sua identidade, deixam de dar atenção preferencial à cidade em que se encontram, ao estado que pertencem. Sua finalidade é desvirtuada. Gera-se desemprego para os verdadeiros profissionais do ramo.

Basta seguir o velho lema
Ao obter a concessão para se instalar uma emissora de rádio, assumem-se compromissos explícitos junto ao poder concedente – isso se for legal. Não é correto esse “aluguel” de prefixos que vem ocorrendo, por ser contrário aos interesses das populações locais que, na emissora de sua cidade, passam a ouvir notícias e assuntos que não são de seu interesse, mas de interesse dos que moram em outras cidades/estados.

É no mínimo uma desconsideração que o velho Dentel não permitia. Não sei agora. E para aqueles que acham que os ouvintes estão sumindo, um pequeno lembrete: para cativar a preferência popular, a emissora precisa de um som aceitável, o que se obtém com bom equipamento e um técnico competente. Em seguida é imprescindível uma boa programação, o que só é possível com profissionais do ramo, talentosos, sensíveis, capazes de captar o gosto popular na região em que atuam.

Como manter isso? Com bons contatos (corretores), integrando um departamento comercial eficiente. E, para cumprir a finalidade da radiofonia, basta seguir o velho lema do rádio: “Divertir Educando, Educar Divertindo”. Quem se acha incapaz de fazer isso não deve entrar nesse ramo.

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