Seleção Brasileira na Suécia!

Publicado em: 27/04/2005

Para a copa mundial de 1966 na Inglaterra, a seleção brasileira, foi levada pela Facit, fábrica sueca de equipamento de escritórios, para treinar e se adaptar em Otvidaberg, sede da Facit, na Suécia, (pronuncie ‘ótvidabéri’). Em sueco, ‘g’ depois de ‘r’, soa ‘i’, como em Iceberg (iceberi), etc..
Aguinaldo José de Souza FilhoA Rádio Suécia não só me mandou cobrir a visita dos brasileiros, como me hospedou nos mesmos hotéis do nosso time, o que me ajudou a os conhecer de perto e até fazer amizade com sumidades como Gilmar, Pelé, Jairzinho, Garrincha, Zito, Djalma Santos, o mais velho da turma, 37 anos, comparado a Tostão com 19, e Edu com 16 anos, que acabou assistindo à copa sentado. Obviamente a imprensa brasileira estava também presente. Foi um dos pontos altos da minha carreira de radialista. Foi ali que presenciei Amarildo, que depois de ter lutado para conseguir licença de sua equipe na Europa para defender o verde-amarelo, estendeu um músculo durante um simples exercício. Nunca havia visto um homem chorar tanto! Ele foi eliminado da copa!

Diariamente, após as partidas amistosas da nossa seleção com os times suecos, eu passava um boletim de cinco minutos pelo telefone para ser transmitido no show da noite para o Brasil.

Estávamos em Malmö, no extremo sul do país, pertinho da Dinamarca. O Brasil perdera para o time local e os dirigentes da seleção não estavam contentes. O saguão do hotel onde nos encontrávamos  estava cheio de jornalistas à espera de uma oportunidade para entrevistar alguém, além das meninas atrás de seus ‘azes’ da pelota. Eu estava com alguns amigos brasileiros num canto do restaurante, onde havíamos jantado. Pedi licença e me dirigi para o telefone ao lado, porque já era hora de passar minha matéria. Terminada a tarefa, voltei para a mesa e pedi um café.

“Bonito trabalho Aguinaldo”, disse o então famoso Jorge Curi, irmão do cantor Ivon Curi. “Só tenho uma pequena observação: o meio tempo de uma partida de futebol tem 45 e não 90 minutos!” Eu havia dito: “… nos noventa minutos seguintes…” Pois é! Estaria excitado demais?

Gilmar apareceu, mas não ficou conosco por muito tempo – foi logo ‘seqüestrado’ pelos repórteres. A maior parte dos jogadores seguia à risca o toque de recolher, para estar em forma no dia seguinte. Alguns, no entanto, não resistiam aos encantos das suecas que esperavam no saguão do hotel, e desapareciam nas noites frias da terra das Valkirias. Um comportamento que já estava se refletindo nas partidas de treinamento.

Como não podia ficar sem uma polêmica, antes da Copa, a Federação Inglesa enviou um comunicado a CBD dizendo que o café consumido por hábito no Brasil seria considerado estimulante. A CBD respondeu que o assunto deveria ser tratado diretamente com o Instituto Brasileiro do Café e que o chá, bebido pelos ingleses, era muito mais estimulante. O assunto terminou por aí. Bem, para alguns, porque no campo, a verdadeira resposta inglesa foi quebrar o nosso rei Pelé, que acabou jogando feito Saci Pererê! O resto é história para nosso próximo papo.


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