Sem papel?

Publicado em: 21/12/2012

Rádio CBN Brasil | MUNDO DIGITAL, com Ethevaldo Siqueira

Nonato – Ethevaldo, sexta-feira é dia antecipar o futuro. Você prometeu falar sobre o futuro do papel. Você acredita que o mundo caminha para uma sociedade sem papel?

Ethevaldo – Boa pergunta para a gente começar, Nonato. A expressão paperless society foi cunhada em 1978 por um cientista inglês, Friedrick Wilfrid Lancaster, que emigrou para os EUA e montou diversos sistemas computadorizados de informação sobre medicina. Mesmo com a explosão da informação eletrônica, gerada pelo computador e pela internet, o consumo de papel não tem diminuído. Ao contrário. Por isso, a sociedade sem papel ainda é algo distante. Mas uma das causas é a baixa educação ambiental das pessoas e das empresas, que insistem em imprimir cópias de documentos e de textos colhidos na internet, quase sem necessidade.

Nonato – Você conhece estudos especializados sobre o futuro do papel no Brasil?

Ethevaldo – Existem alguns, Nonato. No Brasil, o mais recente que eu conheço foi elaborado pela Consultoria Tendências e tem como foco a realidade brasileira e latino-americana. Uma de suas conclusões foi a de que o consumo de papel tende a diminuir a longo prazo com o crescimento da comunicação eletrônica e, em especial, a partir do momento em que a penetração da internet brasileira ultrapassar a média de 40 internautas por 100 habitantes. No entanto, num horizonte de dez a 15 anos, podemos reduzir esse crescimento, evitando o desperdício, com a impressão desnecessária de milhões de cópias de documentos eletrônicos.

Nonato – Quer dizer que o consumo de papel vai continuar crescendo?

Ethevaldo – Aliás, o próprio estudo da Tendências mostra que quanto maior for a importância do setor de serviços em uma economia, maior tenderá a ser o consumo de papel. E no caso brasileiro e latino-americano, a demanda de papel para impressão e escrita deve crescer 39,7% até 2027. A sorte é que a Justiça daqui a menos de 20 anos deverá aderir aos documentos eletrônicos, criptografados, que podem ter maior segurança do que os documentos de papel. O problema é que não há no mundo instituição mais burocratizada e conservadora do que a Justiça.

Nonato – Mas já não existe algum progresso nessa área?

Ethevaldo – Existe, Nonato. Já temos nota fiscal eletrônica, sistemas de contabilidade digitais e coisas que seriam impensáveis há duas décadas.

Nonato – Até segunda.

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