Ser ou não ser

Publicado em: 07/07/2013

Eis a questão!

Não estou olhando para nenhuma caveirinha, na palma da mão; tampouco citando o clássico Hamlet, de Shakespeare. Mas, essa frase me veio à mente ao refletir sobre a questão da individualidade, num mundo cada vez mais impessoal, artificial e alienante.

São tantas informações, convenções, obrigações, modas e regras para administrar que fica quase impossível pensar de forma autônoma!

Não se confunda, no entanto, individualidade com egoísmo ou egocentrismo! A individualidade é o que nos torna seres únicos, sem a pretensão de nos sentirmos o único ser. Não é o querer tudo, olhar somente para o próprio umbigo ou querer ser o centro das atenções, mas, ter consciência de si próprio e se posicionar perante o mundo em que vive. E isso sem alarde ou pirotecnia, porém, com firmeza, coerência e compaixão. Olhar no espelho e enxergar mais do que aparências. Ter seu próprio brilho, sem ofuscar os outros, e não apenas refletir a “luz” dos outros ou ser mera sombra.

Refletir? Só em pensamento! Fazer parte de um grupo pode nos dar a proverbial força do feixe de galhos! No entanto, também pode nos tornar apenas mais um no rebanho, conduzido por cães e pastores para o confinamento, tosquia ou abate. Líderes pretensiosos e ladinos, que se arvoram donos de uma verdade mutante, conveniente. Condutores que nunca erram; que sempre estão acima de seus seguidores e até do que pregam.

E que lucram muito com isso, inclusive patenteando ou registrando marcas e técnicas, tornando um benefício que afirmam ser espiritualmente elevado, numa forma de arrecadar fortunas bem materialistas. Outro dia, vi um antigo vídeo, no qual os Beatles rodeavam Maharishi Yogi – guru da banda, na época – e este falava ao entrevistador: “A paz que prego, somente as pessoas inteligentes podem entender!”.

Ele falava da paz ou de si próprio? E para que ele precisava de seguidores? Para sustentar sua “grandeza espiritual”? Esse é apenas um caso… Mas, quantas pessoas abandonam sua individualidade para entregar-se a “gurus” ou ídolos do toda espécie? Renunciam a si próprios para sujeitarem-se, de corpo e alma, a terceiros, vivendo uma vida de aparências, evitando enfrentar seus problemas, transferindo-os para outros ou, simplesmente, para serem notados, aparecerem em colunas sociais, contando suas “jornadas espirituais” em busca de seus “babas”.

Alguns viajam milhares de quilômetros para encontrarem a si próprios! Riqueza de bens! No entanto, extrema pobreza de espírito…
Tudo bem que cada um faz e vive como quer. Mas, porque essas pessoas fazem tanta questão de alardearem sua espiritualidade de cartão postal e grife, sempre tentando mostrarem superioridade em relação aos que “não estiveram lá”? Será preciso estar num lugar específico – quando mais inacessível ou distante, melhor – para chegar à “iluminação” e “elevação espiritual”?

Ué: mas não dizem que a virtude está em toda parte e a divindade em cada um de nós? Talvez elas precisem de mais adeptos, para tentarem de fato acreditar no que pregam ou dizem; ou fãs, para louvarem sua alienação espiritual festiva…

Adilson Luiz Gonçalves
Mestre em Educação
Escritor (eleito para a Academia Santista de Letras), Engenheiro, Professor Universitário e Compositor
Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa / Comportamento)
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Conheça as músicas do autor em: br.youtube.com/adilson59
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