SERÁ QUE FOI PARA O AR?

Publicado em: 29/01/2007

Em 1961, depois de oito meses no Plantão Esportivo da Rádio Nereu Ramos, resolvi abandoná-lo.  Como não recebia nem para pagar o ônibus, desisti e voltei para jogar pelo Guarani Esporte Clube, que em 1963 foi campeão da cidade, desbancando o Olímpico e o Palmeiras.
Por Edemar Annuseck

Eu era vidrado – aliás, continuo, em ouvir rádio; o rádio e as transmissões esportivas sempre foram o início, meio e fim nas minhas atitudes.  Em 1960, aos 14 anos de idade comecei a trabalhar na Fábrica de Gaitas Alfredo Hering, onde meu pai Ricardo e minha tia Henriqueta – já falecidos – foram os primeiros funcionários (eles ficaram por lá por mais de 40 anos).
No período de 1960 a 1964 comandei um programa musical à noite na Rádio Difusora ao lado de companheiros do escritório da Gaitas Hering (Ailton Scheidemantel, Ana Teresa e Elisabeth Blunk), e até tentei dar uma de repórter na Rádio Difusora de Blumenau. Foi um sábado à noite no estádio do Guarani. Como eu tinha trabalhando no Plantão Esportivo da Nereu e comandado um programa musical na Difusora, o Brandino Philips – narrador e chefe da equipe esportiva da emissora – pediu para que eu o auxiliasse na transmissão de um jogo como repórter. Mas, o microfone volante – sem fio – que estava sendo inaugurado, não funcionou. Passado um tempo lá estava o Brandino Philips (que trabalhou no rádio de Joinville e tinha uma frase que ficou marcada até hoje – a bola recocheteia na zaga -), transmitia uma partida também no estádio do Guarani. A Sociedade Desportiva XV de Outubro de Indaial jogava no campo do Guarani uma partida de desempate do Campeonato da Segundona da LBF. O XV de Outubro, inclusive, teve como treinador Walter Vasconcellos, o famoso Vasconcellos, meia direita do Santos FC nos tempos de Pelé.
Eu estava atrás do Brandino assistindo o jogo e ouvindo sua transmissão na cabine (que era coletiva – não tinha divisões), quando a transmissão – acho que era pela Clube de Indaial – deu um problema.O Brandino olhou para trás, me reconheceu e acreditem… entregou-me o microfone, e,  saiu para percorrer a linha de transmissão para ver o que estava acontecendo, sem me dizer nada o que fazer.
Resultado: mandei bala; fiquei transmitindo aproximadamente uns 15 minutos, quando transpirando – parecia jogador de futebol no final da partida – o Brandino Philips voltou e reassumiu a transmissão. Confesso que até hoje não sei se nos 15 minutos que eu transmiti, a rádio estava no ar.


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