SERÁ SEMPRE ASSIM?

Publicado em: 19/02/2007

1. “Você está vendo aquela mulher de cabelos brancos vestindo farrapos, calçando tamancos, pedindo nas portas pedaços de pão?
Por Elóy Simões

A conheci quando moça, era um anjo de formosa, seu nome é Maria Rosa, seu sobrenome, Paixão.
Os trapos de sua veste, não é só felicidade, cada um representa, para ela, uma saudade; de um vestido de baile, ou de um presente, talvez, que um dos seus apaixonados lhe fez.
Quis, certo dia, Maria, pôr a fantasia, de tempos passados, ter em sua galeria, uns novos apaixonados; esta mulher que outrora, a tanta gente encantou, nem um olhar teve agora, nem um sorriso encontrou.
Então, dos velhos vestidos, que foram outrora sua predileção, mandou fazer uma capa, de recordação;
Vocês Marias de agora, amem somente uma vez; pra que mais tarde capa, não sirva em vocês.”
2. Estamos aqui, neste Caros Ouvintes, defendendo, com justiça, a excelência do meio rádio. Duvido que alguém tenha alguma dúvida sobre isto.
Eu particularmente, que tenho uma forte empatia por ele, venho procurando alertar para a necessidade de maior criatividade nos programas e na publicidade que ele veicula.
O rádio, tenho insistido, precisa deixar de ser um vitrolão, repensar um pouco o uso do telefone,  e fazer com que  o pessoal de criação das agências e respectivos anunciantes, , em sua maioria, passem a trata-lo com  maior respeito e carinho.
3. Outro dia, lendo Cauda Longa, topei com algumas afirmações do Chris Anderson, o autor da obra. Ele chama a atenção para alguns fenômenos que ocorrem atualmente de forma crescente, e que já estão atingindo, de forma negativa, o rádio. Ele lembra, por exemplo, o papel do Ipod. E relata, entre outras coisas: antes, nos congestionamentos que ocorrem nas cidades grandes, o motorista ligava o rádio e ficava curtindo o som. (O automóvel, é bom lembrar, é um dos responsáveis pelo renascimento do rádio, quando a televisão surgiu e dominou, avassaladora). Agora, aponta Anderson, os motoristas ouvem, cada vez mais, o Ipod.
Cruel como um frio torturador, ele lembra o papel da internet, que permite aos internautas montar  seu próprio CD com as músicas que mais gostam. Claro, isso está se refletindo nas vendas desse produto, que caem vertiginosamente. Mas, temos de concordar com ele, o rádio – o rádio-vitrolão – também ganha, aí, mais um poderoso concorrente.
4. Antes que a gente se iluda com o crescimento atual do meio, vamos os lembrar da Maria Rosa, do Lupicínio Rodrigues – o sucesso de hoje não pode ser o trapo de amanhã.
Temos de recriar o rádio. Transformar esse vitrolão de hoje em algo criativo. Deixar o telefone de lado – ou encontrar um uso melhor pra ele. Dedicar um pouco mais de tempo e talento na criação e produção de peças publicitárias. Urgentemente. Por que ou começa a fazer isso agora, ou amanhã, mal comparando, esse meio vai, à moda de Maria Rosa, bater nas portas do anunciante implorando pedaços de pão.


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