Sesc realiza a mostra “Sombras que Assombram: o expressionismo no cinema Alemão” em 17 cidades

Publicado em: 18/02/2015

As sessões são gratuitas. Em cartaz, nove filmes da década de 1920

As-mãos-de-Orlac

De 23 de fevereiro a 1º de março, o Sesc realiza a mostra “Sombras que Assombram — O Expressionismo no Cinema Alemão” simultaneamente em 17 cidades catarinenses, com entrada gratuita.

É uma boa oportunidade para conhecer melhor o movimento expressionista no cinema, que apresenta algumas das maiores obras da sétima arte.

O movimento teve seu auge na década de 1920, em uma Alemanha arruinada pela Primeira Guerra Mundial, e que se caracterizou pelo uso de imagens fantásticas e assustadoras, ao mesmo tempo em que expõe uma sociedade envolta em um cenário desolador e mecanicista.

Em cartaz, nove produções de diretores cultuados do cinema: Fritz Lang, Murnau, Paul Leni, Paul Wegener e Robert Wiene. Os clássicos têm como marcas características a utilização de uma coreografia (mise-en-scène) exagerada; interpretação caricata e teatral; cenários distorcidos; e uso de temas folclóricos, literários, sombrios e fantasiosos, que garantem o desenvolvimento do terror.

Segundo a curadoria da mostra, “misticismo, fantasmas, sobrevivência, sangue, morte e sombras são palavras que descrevem o sentimento expressionista. Intrinsecamente, o movimento marca o encontro da criatividade do artista com os seus impulsos emocionais e instintivos mais profundos”.

Os filmes exibidos espelham bastante a nebulosidade de seu tempo: os cenários, em especial das grandes obras, como “O gabinete do Dr. Caligari”, “O gabinete das figuras de cera”, “O golem” e “Nosferatu”, tendem à claustrofobia, têm pouca profundidade, são tortuosos, beiram o grotesco.

A maquiagem dos atores foi concebida de maneira exagerada, sinistra, que lhes fazem parecer mortos-vivos. Seus corpos são pesados, com movimentos bruscos. Os figurinos também pesam, dificultam o movimento dos atores, dando-lhes uma aparência soturna.

A programação detalhada em cada cidade pode ser consultada em: http://portal.sesc-sc.com.br/projeto/141.

Programação no Sesc em Florianópolis (Prainha)
(Trav. Syriaco Atherino, 100 – Centro)
Sessões gratuitas

23/02, às 20h: “O gabinete do Dr. Caligari”
24/02, às 20h: “As mãos de Orlac”
25/02, às 20h: “O Golem”
26/02, às 20h: “O Gabinete das Figuras de Cera”
27/02, às 20h: “O homem que ri”
28/02, às 19h: “Fausto”
28/02, às 20h30: “Nosferatu”

SINOPSES:

O Gabinete do Dr. Caligari (Robert Wiene, 1919, 62 minutos, P&B)
Das Kabinet des Dr. Caligari
Elenco: Werner Krauss, Conrad Veidt, Friedrich Feher, Lil Dagover
Considerado um marco do expressionismo no cinema, “O gabinete do Dr. Caligari” deu origem ao “caligarismo”, estilo que expõe as distorções que vêm de um extravasamento emocional. O fi lme inicia com a narração de um jovem sobre um estranho acontecimento ocorrido em sua pequena cidade natal envolvendo um médico (Caligari) que manipula as ações de um sonâmbulo (Cesare).

O médico que trabalhava em um manicômio fica transtornado quando surge um sonâmbulo como paciente e resolve dar vazão a seu furor cientificista, testando se um sonâmbulo pode realmente ser manipulado a ponto de cometer atos atrozes, inclusive assassinato. O médico e o sonâmbulo se instalam em uma feira de atrações e instauram o pânico no local.

As mãos de Orlac (Robert Wiene, 1924, 110 minutos, P&B)
Orlac Hände
Elenco: Conrad Veidt, Fritz Kortner, Alexandra Sorina
Um pianista apaixonado pela esposa perde as mãos em um acidente e aceita participar de uma experiência de transplante de mão, a fim de poder retomar sua vitoriosa carreira como concertista. Tudo transcorre bem até que ele descobre que as mãos transplantadas eram de um assassino.

O pianista fica então transtornado e passa a acreditar que está tendo os mesmos impulsos do antigo dono das mãos. A partir desse momento, inicia- se a loucura do personagem, perdido, enojado com suas mãos. Como tocar no corpo amado de sua esposa e nos teclados do piano com aquelas mãos maculadas pelo crime?

O Golem (Paul Wegener, 1920, 68 minutos, P&B)
Der Golem
Elenco: Paul Wegener, Albert Steinrük, Lyda Salmonova
Golem é um ser mítico da tradição judaica, que pode ser trazido à vida por meio de um processo mágico. O imperador de certo reino baixa um decreto contra os judeus, ordenando que eles deixem o reino urgentemente sob pena de serem severamente punidos. Uma espécie de rabino concebe em um ritual o ser de barro inanimado, o golem, um servo do povo judeu.

O rabino controla a vida do golem retirando a estrela de Davi de seu peito, porém o monstro percebe isso e passa a proteger a estrela. O problema acontece quando o golem perde o controle, não aceitando mais seguir ordens alheias e vira uma ameaça ao povo judeu.

O Gabinete das figuras de cera (Paul Leni, 1924, 83 minutos, P&B)
Das Wachsfigurenkbinett
Elenco: Conrad Veidt, Wener Krauss, Wilhelm Dieterle, Emil Jannings
Um jovem é contratado por um museu de cera para escrever as histórias de três de seus personagens: o califa Haroun Al-Haschid; Ivan, O Terrível; e Jack, O Estripador. Os cenários tridimensionais do filme causam uma terrível estranheza no espectador, com o uso de espaços labirínticos, escadas tortuosas e irreais, de aparência disforme e claustrofóbica.

O diretor Paul Leni cria um curioso paralelo entre as histórias narradas e o próprio cinema, ambos manipuladores de emoções, e, assim como a feira onde está instalado o museu de cera, pode ser uma diversão barata, escapista e ilusória.

O homem que ri (Paul Leni, 1928, 110 minutos, P&B)
The Man Who Laughs
Elenco: Conrad Veidt, Mary Philbin, Olga Baclanova, Sam De Grasse
Inspirado no romance homônimo do escritor francês Victor Hugo, o filme narra a história assustadora de Gwynplaine, o herdeiro de um ducado que fora sequestrado quando garoto e, por ordem do rei, desfigurado com um perpétuo riso forçado.

Apesar de não ser um filme de terror, O homem que ri trata em especial da criação de um monstro. Durante o filme, esse personagem luta contra a própria imagem, já que um homem que aparenta estar rindo o tempo todo é inevitavelmente trágico. O personagem deformado pelo riso, vivido por Veidt, é acolhido por um filósofo e torna-se um artista mambembe.

Fausto (F. W. Murnau, 1926, 118 minutos, P&B)
Faust
Elenco: Emil Jannings, Camilla Horn, Wilhelm Dieterle
Inspirado na famosa obra do escritor alemão Johan Wolfgang von Goethe, o Fausto de Murnau é um dos grandes fi lmes sobre a história de um velho cientista (Fausto) seduzido por Mefi stófeles (o demônio) para ter de volta a sua juventude.

Fausto assina com o próprio sangue um contrato no qual seria um servo do diabo e não envelheceria durante um longo período de tempo. Em troca disso, ele deveria dar ao diabo a própria alma e seria levado ao inferno. Porém, o amor por uma mulher muda a rota dos acontecimentos, dando início a uma batalha entre a luz e as sombras.

Nosferatu (F. W. Murnau, 1922, 94 minutos, P&B)
Elenco: Max Schreck, Alexander Granach, Gustav von Wangenheim, Greta Schröder
Nosferatu tornou-se um dos filmes mais influentes da história do cinema com uma fábula de terror baseada em uma adaptação não autorizada da famosa obra Drácula, de Bram Stoker. O filme narra a vida de um corretor de imóveis jovem e ambicioso que vende uma enorme e abandonada casa ao estranho Conde Orlock, um vampiro que tem como meta fazer como presa a esposa do corretor.

Orlock sairá da Transilvânia para ser vizinho deles e conquistar de vez a mulher pretendida. Mas, no caminho entre a Transilvânia e a grande casa adquirida, Orlock deixa um rastro de destruição e morte, o que faz todos pensarem que se trata de uma nova peste que assola a região.

A última gargalhada (F. W. Murnau, 1924, 91 minutos, P&B)
The Last Laugh
Elenco: Emil Jannings
O velho porteiro de um elegante hotel alemão trabalha orgulhosa e dedicadamente, sendo seu uniforme um sinal de respeito para sua família, amigos e demais empregados do hotel. Mas o novo gerente acredita que ele está velho demais para carregar bagagens pesadas e exercer toda a rotina da portaria de um grande hotel, e o rebaixa a servente do banheiro masculino.

Isso causa um efeito desastroso no prestígio do homem e na sua autoestima. Trata-se uma dolorosa tragédia alemã, em que o uniforme é um símbolo sagrado e quase faz as vezes de protagonista da história.

Metropolis (Fritz Lang, 1927, 124 minutos, P&B)
Elenco: Rudolf Klein-Rogge, Brigitte Helm, Gustav Fröhlich, Alfred Abel
Obra-prima de Fritz Lang, reconhecido como um dos filmes-mudos mais importantes já lançados no cinema. A história se passa no século 21, numa grande cidade governada com mão de ferro por um poderoso empresário. Seus colaboradores são de classe alta e vivem em um lindo jardim, tal como Freder, único herdeiro do líder de Metropolis.

Já os trabalhadores são escravizados pelas máquinas, e condenados a trabalhar e viver em galerias no subsolo da cidade. Entre os operários, destaca-se a jovem Maria, que conclama os trabalhadores a reivindicar seus direitos. Metropolis demonstra uma preocupação crítica com a mecanização da vida industrial nos grandes centros urbanos, questionando a importância do sentimento humano, perdido no processo. Como pano de fundo, a valorização da cultura, expressa no filme pela tecnologia e, principalmente, pela arquitetura.

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