Sin perder la identidad

Publicado em: 19/12/2010

Certa vez, em Buenos Aires, quando ainda não tínhamos TV a cabo no Brasil, tive a oportunidade de assistir vários canais latinoamericanos. Além dos argentinos, havia uruguaios, chilenos, colombianos, venezuelanos pré-Chavez (o presidente, não o personagem humorístico… ou será que estou confundindo as coisas?) e por aí vai. Também havia alguns canais brasileiros, o que serviu para lembrar que somos o único país da América Latina que fala português, em continente de colonização majoritariamente hispânica.

Não é a toa que Hollywood insiste em ignorar nossa cultura, talvez por que simplesmente a desconheça, mesmo! No mais, aqui como nos EUA, a extensão territorial é tão gigantesca que não dá para falar numa “cultura” brasileira, pela miscigenação e diferenças entre regiões. O que nos diferencia – como aprendi desde os primeiros tempos de infância escolar – é esse mesmo idioma que nos “distancia” dos países que nos fazem fronteira: o português, falado em todos os cantos do Brasil, com regionalismos, sim, mas sem dialetos.

Talvez esse seja o verdadeiro “Milagre Brasileiro”!

Outro fator ao nosso favor é a índole do brasileiro:

Procuramos ser gentis com os estrangeiros, buscando entender o que falam e, até, falar de forma que entendam, mesmo que a recíproca nem sempre seja verdadeira. Conheço espanhóis que vivem há décadas no Brasil e continuam a falar o idioma de Cervantes como se ainda estivesse em terras de D. Juan Carlos. Ignorância, desprezo ou “lei do menor esforço”?

Talvez nos interpretem mal por essa constante tentativa de entender, explicar, conhecer e congraçar. No entanto, vejo nisso uma virtude que poucos povos do mundo têm: a de assimilar outros idiomas e culturas com uma facilidade marcante, o que nos coloca em posição de “ir para o mundo”: embaixadores da boa vontade!

A essa consciência e expectativa inata soma-se a necessidade profissional, movida a globalização. Assim, todo ano milhares de jovens ingressam em cursos de idiomas, fazem intercâmbio, vão estudar ou fazer estágios linguísticos no exterior. Jovens de um país emergente fazendo “imersão” idiomática pelo mundo afora!

Mas, ainda são poucos os que têm poder aquisitivo para isso, apesar da crescente oferta de bolsas de estudo por merecimento. A possibilidade de conhecer outros idiomas e culturas “in loco” seguramente seria uma semente que renderia bons frutos no solo fértil de mentes brilhantes, contribuindo para fomentar a paz mundial. No chão árido das cabecinhas de “filhinhos de papais”, no entanto, quase sempre só geram afetação, arrogância e esnobismo.

Haveria alternativa para essa imersão cultural, sem sair daqui? Bem, se o corpo e, principalmente, o bolso têm limites, esse não é o caso da mente, em absoluto!
É difícil falar o que segue quando está em pleno debate o aumento do percentual de produções nacionais nos canais pagos. De fato, precisamos de mais e, sobretudo, melhores programas brasileiros! Mas, não podemos ignorar o potencial da televisão como útil instrumento de imersão idiomática e cultural, ou seja, como meio de aprendizagem, embora ainda mal explorado nesse âmbito.

Também é preciso questionar o excesso de programas em inglês, mesmo nos “pacotes” básicos. Além disso, canais em outros idiomas implicam em custos adicionais, que podem torná-los proibitivos, elitistas.

Nesse sentido, a TV a cabo ou via satélite também deveria potencializar o aprendizado de outros idiomas, veiculando ao menos um canal em: francês, espanhol, italiano, árabe, chinês e alemão, por exemplo, mediante convênios com emissoras educativas dos países.

A internet já permite essa possibilidade, mas ainda falta uma abordagem pedagógica e de marketing desse potencial, selecionando e programando de forma atraente, instigadora e motivadora.

Não se trata de perder a identidade nacional, o que tem ocorrido mesmo em produções nacionais. Muitas delas, aliás, têm sido vetores da introdução de modismos estrangeiros de elevado interesse comercial, mas de qualidade moral e artística altamente duvidosa para a formação da juventude.

Não se trata de proibir ou censurar esse tipo de programação, mas de oferecer alternativas de qualidade.

Com a palavra: produtores, operadores, educadores, patrocinadores e, principalmente, legisladores e governantes.

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