Sinal dos tempos

Publicado em: 18/09/2011

A sociedade evolui quando tende ao equilíbrio! Assim, manter desequilíbrios, por qualquer que seja o motivo, é contribuir para gerar estados de tensão que podem explodir a qualquer momento, com consequências imprevisíveis. Não foi à toa que foram necessários milhares de anos para remover várias das barreiras e tabus, que tornavam as mulheres meras coadjuvantes da humanidade, oprimidas desde a origem dos tempos por leis seculares e religiosas. Mesmo assim, preconceito e insensibilidade ainda persistem em algumas civilizações, onde o sexo feminino continua a ser culpado pela falta de autocontrole do sexo masculino.

O Século XX foi um marco para a civilização ocidental! Direito a voto, expansão do mercado de trabalho e liberação sexual foram algumas das evoluções, obtidas com muita coragem e obstinação.

Consciente de sua força, o antigo “sexo frágil” vem conquistando todos os espaços que lhes eram negados. Só peca quando tenta equiparar-se ou superar o comportamento primitivo, imbecil e belicoso característico de homens que tem pouco cérebro e muito anabolizante nos músculos.

Autoritarismo, arrogância, violência e intempestividade são comportamentos execráveis em qualquer ser humano!

A realidade é que, um a um, até os, antes, intocáveis baluartes do machismo: política, futebol, boxe e halterofilismo foram caindo. Mas a busca desse equilíbrio também resultou em novos desequilíbrios, acentuados, sobretudo de personalidade, de ambas as partes.

Antes, as mulheres eram submissas institucionalmente aos homens, embora muitas delas sustentassem famílias. O advento de mudanças pegou muitos “machos” de surpresa, deixando-os progressivamente desnorteados, alguns sofrendo até crises de identidade sexual. Não foi diferente com muitas mulheres, que deixaram de ser vendidas como objetos sexuais, para passarem a se vender como tal, nem sempre por necessidade de sobrevivência. Mas o uso e abuso de atributos físicos sempre foi uma “arma”, e o duelo entre testosterona e progesterona, incensado por instintos e feromônios, nunca deixará de existir! Mas uma coisa nunca mudou: a mulher continua de joelhos perante o homem! A diferença é que, antes, isso era cultural, hoje é para mandar o marido sair de debaixo da cama…

Ainda há muito a equilibrar, sem dúvida, mas depois dos dramas e exageros iniciais a tendência é de que os próximos lances ocorram de maneira cada vez mais natural. Isso não impede que algumas surpresas ainda estejam reservadas para observadores mais atentos. Por exemplo: assisti, recentemente, a uma cena desse processo evolutivo que até pouco tempo atrás seria improvável. Por isso mesmo, ela demonstrou que estamos diante de um caminho sem volta de ruptura de conceitos e invasão de domínios nessa busca de “equilíbrio” entre os sexos.

O cenário era uma loja de sapatos de um movimentado shopping.
Nela, três casais adentraram com um simples objetivo, ao menos em tese: dois dos homens desejavam comprar sandálias para viagem (sem aspas!).
Segundo a lógica machista de outrora, essa tarefa não levaria mais do que alguns minutos e o produto adquirido seria um modelo discreto, espartano.

Pois bem, após cerca de uma hora e vários pares experimentados mais de uma vez, a indecisão dos rapazes assumia aspectos dramáticos, quase existenciais, sem muita perspectiva de breve solução. Mas isso não era o que despertava maior atenção. No meio da loja duas das esposas discutiam, acaloradamente, sobre quais seriam os investimentos financeiros mais rentáveis do mercado, com direito a citações de analistas conceituados e argumentações recheadas de siglas, índices e experiências pessoais!

Sinal dos tempos…
  
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