Singularidade Política

Publicado em: 23/06/2013

De forma geral, dicionários definem singularidade como a qualidade do que é relativo a um só, do que é singular. Futurólogos acreditam que, em poucos anos, haverá singularidade entre seres humanos e máquinas: seremos um só, simbióticos!

Bem, considerando que muitos já vivem conectados 24 horas por dia, já estamos vivenciando esse tempo. De uma forma muito menos nobre ou tecnológica, também tá cheio de gente que vive há décadas siamesa da “máquina do governo”, às custas dos impostos pagos por quem trabalha e produz.

Gerações de políticos e seus familiares, amigos e apaniguados que, apesar de vivermos numa pretensa democracia, rezam pela cartilha do absolutismo: “nós somos o Estado”, não importa que seja de sítio ou de calamidade pública.

Estado onde sempre se dão bem, alheios ao sofrimento e múltiplas mortes que seus atos e omissões provocam. O único estado de direito que conhecem é o próprio! Por conta disso, fazem leis que os blindam, imunizam ou perdoam, de acordo com seus interesses. Sua democracia é coisa do demo: uma ação entre amigos do alheio, onde a corrupção é praxe; onde os partidos são caixas pretas comandadas pelos mesmos de sempre; sistemas herméticos que só se abrem de quatro em quatro anos, para pedir votos; usinas que transformam o idealista revolucionário de hoje no venal arrogante de amanhã, com raríssimas exceções.

Essa singularidade política faz com que os partidos políticos sejam praticamente indistinguíveis, inclusive no discurso, mas, queiram ser únicos, exclusivos, não importa o preço a ser pago… pelo povo!

Sim! Porque quem paga a conta dessa farra de poucos é o povo! Que mal sabe o que está pagando, pois tudo o que é público no Brasil é obscuro, mal explicado. Ou, pior, é tão descaradamente explícito, que é tido com normal. Não adiantam apelos pela honestidade, moralidade, ética e, até, religiosidade. Os que deveriam defendê-las as usam para “embasar” suas falcatruas!

Denúncias são sempre infundadas! Culpados são sempre inocentes! E o fato de terem sido eleitos lhes dá a desculpa de que estão representando o povo, esquecendo que receberam um voto e não uma carta branca. E qual a solução que oferecem para esse caos institucional, poço de escândalos?

Tentar silenciar a imprensa? Tentar impedir que o Ministério Público investigue? Insistir no voto secreto da democracia covarde, que mente para o eleitor? Para a imprensa independente: leis rigorosas! Para os amigos: facilidades…

Triste é que alguns militantes “crédulos” acreditam que tudo isso é justificável e, até, necessário; que seus líderes são infalíveis, mesmo quando se contradizem, mentem e manipulam. Votar mudanças no Código Penal? Expurgar políticos corruptos? Bem, ao menos nisso são coerentes: não querem “dar tiro para cima”. E cirurgias de separação de siameses às vezes podem ser fatais para ambos…

Já comemoramos o “Dia do Fico”. Seria ótimo, agora, comemorar o “Dia do Saio”: momento em que os políticos corruptos “peçam pra sair” da vida pública espontaneamente, antes que o eleitor resolva mandá-los para a privada e dê a descarga…
O povo se levantou contra as múltiplas leis de mordaça que eles querem aprovar, não com a promessa de se emendarem, mas, para não serem mais incomodados em suas práticas viciosas. Rebelou-se contra os abusos, a roubalheira, a mentira, o descaso…

Nas ruas, eles clamam seus anseios por um país melhor, mais justo! Vândalos, bandidos, desocupados e saudosistas da ditadura, de esquerda e direita, empunhando suas “bandeiras” e com os rostos ocultos tentam deturpar esse pleito, alguns “paus mandados” de segundas intenções, que viraram tiros no próprio pé.

No entanto, o caminho do diálogo foi aberto, não pela boca dos que deveriam representar o povo, mas, nas ruas!
Se a voz do povo é a voz de Deus: quem está por detrás do discurso dos que lançaram na lama a credibilidade de nossas instituições? Não sabemos, ainda, onde isso vai dar, e todos sabem como é difícil separar parasitas e sanguessugas de seus hospedeiros, de suas nefastas “singularidades”.

Esperamos que extremos não sejam atingidos… Porém, o ideograma japonês para “crise” é o mesmo que para “oportunidade”. Quem sabe estamos vivendo o momento oportuno da grande virada para melhor do Brasil! Da reengenharia do país, que tem tudo para ser potência, mas que a corrupção não deixa!

Será que podemos esperar que haja, enfim, singularidade política entre governo e povo? É esse o “pra frente Brasil” de que precisamos!

Adilson Luiz Gonçalves
Membro da Academia Santista de Letras
Mestre em Educação
Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor
Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa / Comportamento)
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Conheça as músicas do autor em: br.youtube.com/adilson59

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