Sistemas em alerta

Publicado em: 22/06/2013

Há momentos que, para o observador comum, os fenômenos naturais apesar de surpreenderem, passam e são esquecidos até que um novo fenômeno volte a surpreender. É muita informação, nós andamos entulhados de notícias que chegam instantaneamente.

Só nos damos conta de que já se passaram mais de 3 anos desde que o Haiti foi destruído por um terremoto quando aparecem imigrantes ilegais haitianos às fronteiras do Brasil, via Bolívia, para pedir socorro e asilo.

Apesar da facilidade com que se pesquisa e se divulga os fatos geoclimáticos, a correria não nos deixa parar para pensar e reunir tudo numa escala lógica de tempo e importância.

Enquanto o outono catarinense veio com seguidas geadas, a primavera europeia ainda exibia pesadas nevascas. Inverno nos dois hemisférios? Chuvas excessivas aqui, estiagens prolongadas acolá, terremotos, explosões solares, temperaturas muito acima e muito abaixo das médias.

Não se assuste, leitor, isto aqui não é uma narrativa apocalíptica, mas tem tudo a ver com o futuro da vida, com cidadania, que é a proposta deste espaço.

Há muitos séculos tratamos muito mal de nossas emoções e intelecto e desde a Revolução Industrial passamos a tratar muito mal, também, a Natureza ambiente. A doença do homem atinge sua casa planetária.

Os centros urbanos cresceram fora do ritmo que permita aos governos controlar (e são péssimos nisso). O desmatamento e a pavimentação de largas extensões tornou tudo vulnerável em casos de chuvaradas. Estamos assustados com o aumento das erosões, picos de temperaturas, tempestades, furacões, longas estiagens, alta das marés, tsunamis. No período de 2005-2007 em comparação com o período de 1970-1999 esses fenômenos recentes foram 2,4 vezes maiores em números. Não há, praticamente, uma só metrópole que não esteja afetada pelas enchentes ou pelo sumiço das chuvas. Em algumas regiões do planeta é 100% maior a incidência de raios.

América Latina e Caribe estão entre as regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas, segundo os relatórios oficiais e os fenômenos El Niño e La Niña estão entre eles. O acelerado degelo andino afetará o fornecimento de água aos setores urbanos e agrícolas dos países dependentes destes mananciais.

Por ter características geográficas muito específicas e apresentar uma capacidade política até agora ineficaz no que se refere ao enfrentamento dos fenômenos, o continente já sofre e continuará sofrendo graves consequências da alteração do clima. A saída estaria na urgente implementação de medidas efetivas pelos diversos países, o que não ocorre porque os latino-americanos não sabem votar.

Com a elevação do nível do mar muitas localidades irão ter problemas graves de infraestrutura. O nordeste brasileiro está severamente castigado. As cidades que vivem do turismo sentirão ainda mais o impacto. Além disso, as mudanças climáticas vão atingir os recifes de corais, extremamente importantes para a regulação da vida oceânica, que por sua vez são fonte de renda para muitos países.

Além das numerosas perdas de vidas humanas quando ocorre algum fenômeno meteorológico extremo, o poder público gasta um montante considerável de recursos em ações de reparação, sempre precária. Para se ter um exemplo, 19% dos eventos deste tipo ocorridos na América Latina e Caribe entre 2000 e 2005 representaram perdas da ordem de US$ 20 bilhões, afirma um relatório da Cepal.

O que isso tem a ver com conosco? Tudo. Nossas infelizes escolhas têm-nos levado a retardar a nossa evolução e a pôr em risco a continuidade da vida. Os maus tratos ao corpo se refletem no corpo do planeta. Cabe a cada um de nós contribuir para que a vida tenha aliados e não adversários.

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