Só um toque

Publicado em: 10/11/2016

Era uma bela manhã de terça-feira e vários amigos estavam reunidos na barbearia.

novembro-azulTrês clientes mais o barbeiro. As idades variavam entre 40 e 65 anos.

Todos estavam na expectativa pela chegada de Renato.

Tudo começara na sexta-feira anterior. As conversas sobre a saúde do homem, doenças, morte e falta de cuidados permeavam o diálogo que durou horas. E toda essa conversa porque Renato faria o exame de toque retal na segunda-feira.

Eletroencefalograma, ressonância, Raios-X (antiga chapa), tirar sangue, mas toque retal?

O Claudio disse que o PSA é o suficiente. O Artur comentou que o importante é saber se há casos na família. O barbeiro disse que os médicos hora falam em fazer o exame aos 50 e outros aos 45 anos e fica na dúvida.

Com a ajuda da internet dentro da barbearia verificaram que a idade indicada é aos 50 anos e aos 45 quando há histórico familiar. Mas como seria o exame? O barbeiro buscou mais informações.

Um conjunto de sentimentos tomou conta dos 5 homens que partiram para uma boa pesquisa.

Primeiro: O que é a próstata? É uma glândula que apenas os homens possuem. É pequena e tem a forma de uma maça. Fica na parte baixa do abdômen, abaixo da bexiga e a frente do reto.

Segundo: Os espantosos dados e as estatísticas. O INCA (Instituto Nacional do Câncer) informa que em 2016 são previstos cerca de 61.200 novos casos de câncer de próstata.

No Brasil os homens morrem 8 anos mais cedo que as mulheres pela falta de prevenção.

E apesar de todas as campanhas e incentivos apenas 32% dos homens fazem o exame. Mulheres, esposas e parceiras costumam encorajar os homens a fazer o exame.

O vice-diretor-geral do Inca, Luiz Felipe Ribeiro, diz que: a prevenção do câncer deve ser um tema que mobilize não apenas o governo, mas também toda a sociedade: “Esse desafio é da população brasileira como um todo. Cabe a cada cidadão fazer o seu papel para que a gente possa reverter esses quadros”.

Terceiro: Por que tantos homens têm receio do exame? Especialistas informam que o homem tem medo de ser penetrado. Penetrado, essa palavra fez Claudio levantar para tomar água. Artur pede um café. Jorge respira fundo. O barbeiro liga o rádio e está tocando uma música do Elton John.

Os psicólogos e especialistas na área esclarecem que a região anal é imensamente estimulante, ou seja, há muitas terminações nervosas que provocam prazer. E quando se trata de qualquer coisa ligada à sexualidade é comum homens e mulheres terem receio.

Ninguém poderia ler os pensamentos daqueles 5 homens, principalmente de Renato que faria o exame na segunda-feira. Ficou combinado um encontro entre eles ali na barbearia na terça-feira, logo cedo.

Que expectativa. O Renato seria o primeiro e dependendo do seu relato os outros 4 amigos tratariam logo de fazer o exame, ou não.

O dia havia chegado. Ao entrar no consultório Renato olha para o médico. Ele parece simpático, o que para a ocasião não quer dizer muito. Ou não. O doutor diz:

– Bom dia, seu Renato. Então, o senhor está com 48 anos e não tem casos de câncer de próstata na família. Bem, vamos ao exame.

Renato faz alguns breves cálculos. O médico aparenta ter uns 40 anos. Cerca de 1,8m de altura. Cabelos pretos, olhos verdes e parece gostar de malhar. Renato acha estúpida aquela sua avaliação, mas era quase involuntária.

O médico disse:

– Por favor, seu Renato, baixe a calça e incline-se sobre a maca. Procure relaxar. Tomou o laxante que foi indicado? Então, seu Renato, será um exame bastante rápido. No máximo 1 minuto. Enquanto mais o senhor estiver relaxado, melhor.

Renato sai do consultório entra em seu carro e vai para sua casa. Comenta com sua esposa como tudo correu bem.

Na terça-feira Renato se aproxima da barbearia e os amigos comentam:

– Vejam, é o Renato. Será que ele fez?

Renato entra rindo na barbearia e diz:

– Bom dia, pessoal. Como estão? Que dia bonito, hein.

– Você não fez o exame? – Pergunta Artur.

– Claro que fiz. Por que não faria? E tem mais. Já deixei agendada a próxima consulta. Na verdade minha esposa vai me lembrar.

– E como foi? – Pergunta Claudio.

– Tranquilo. Um médico atencioso, um exame rápido e principalmente, essencial a nossa saúde. Tive uma conversa com o médico após o exame e fiquei muito impressionado.

– Impressionado com o quê? – Pergunta o barbeiro.

– Com a importância do exame. Como somos cabeça dura por isso. Tão simples e pode salvar vidas. O doutor me deu os parabéns e eu perguntei o motivo do seu elogio.

– E o que ele disse? – Perguntou o curioso, Artur:

– Ele disse que se seu pai tivesse feito o exame até os 50 anos com certeza não teria morrido tão cedo. Disse que quando o pai descobriu o câncer já estava evoluído. O doutor me disse que tinha apenas 18 anos quando perdera seu pai, que tinha 56 anos quando morreu. E foi por isso que escolheu a medicina e a urologia.

Naquele mesmo dia os 4 amigos de Renato marcaram suas consultas e combinaram que contariam para o maior número de pessoas possíveis. Diriam abertamente nos bares, festas em família e ali na barbearia. Combinaram que falariam sobre os índices de câncer de próstata, de quantas pessoas poderiam ser salvas se fizessem o exame. A própria história do médico.

Artur perguntou:

– E quanto aquele lance das possíveis sensações, aquela coisa da região sensível, enfim, o que vamos dizer?

Vamos nos apegar a importância do exame e que ele pode salvar vidas – Respondeu Claudio.

Todos concordaram. O mais importante é a prevenção. Além do mais – é só um toque!

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