Sobre a Universidade de Passo Fundo

Publicado em: 21/08/2013

Quando a cidade de Passo Fundo estava localizada no fim do mundo o Governo Federal fazia de conta que Universidade por estas bandas seria luxo, seria disparate. Na prática, a União sempre tratou mal – e pelo que estamos vendo continua tratando mal – este Norte do Rio Grande do Sul quando se trata do ensino superior; mas isso é tema para outro papo.

Na realidade há (ou havia) característica muito forte no passado mais remoto da cidade de suprir a ausência do Estado em setores vitais por iniciativas comunitárias, quer por associações de leigos ou religiosos. Aqui, ao invés de choramingar as pessoas arregaçavam as magas e faziam as coisas acontecerem.

Nessa linha, além da UPF, estão o Hospital São Vicente, o Hospital da Cidade, o Notre Dame, o Menino Jesus, o Menino Deus, o Bom Conselho, o Instituto Educacional – quantos mais estou esquecendo?

O que realmente importa aqui, neste momento, é ressaltar o fato da Universidade de Passo Fundo (UPF) estar comemorando 45 anos e uma extraordinária trajetória agora em 2013. E dizer, com todas as letras (há muito que desconhecem tal relevância), que ela é a maior obra de todo o século 20 no Norte gaúcho.

Resumidamente tempos três momentos cruciais que nos permitiram alcançar o patamar de hoje. O primeiro deles foi a passagem do tropeiro de mula que nos colocou no mapa do novo Brasil nascente. No núcleo habitacional que formamos a partir da passagem dos tropeiros vivemos e crescemos vegetativamente por decênios até que o estabelecimento do tráfego ferroviário, no inicio do século passado veio nos colocar em contato com o mundo. O tropeiro e o trem, esses dois momentos significativos em nossas vidas, não dependeram da vontade dos moradores do lugar, ambos foram produzidos por forças externas, embora tenham habilitado Passo Fundo a ousar em novas demandas como a de encarar o desfio de trazer o ensino superior.

Assim, peço licença para ser repetitivo: “aqui não restam dúvidas para se afirmar que a Universidade de Passo Fundo é a principal, a mais importante, a mais significativa obra do Norte do Estado do Rio Grande do Sul em todo século vinte. Fruto do destemor, do espirito empreendedor, das contradições do passo-fundense a UPF impactou inclusive o Oeste de Santa Catarina, o Sudoeste do Paraná e outras microrregiões do país”.

Como já disse “sim, os tropeiros foram relevantes, o trem foi relevante, mas com eles fomos passivos, não fomos atores. A postura criativa da população empreendedora se revela na UPF, nossa obra maior. Com ela e por causa dela nos tornamos o que somos: centro político, polo cultural e a maior e mais importante economia do Norte do Rio Grande do Sul; posição que assumimos sem arrogância nesse contexto, mas com orgulho ao verificar nosso esforço compensado e poder dizer que nada, como obra coletiva, foi maior do que a UPF em todo o século 21”.

Além do vigor da obra concretizada, que exigiu impensáveis sacrifícios para os dias de hoje e que não se edificou sem conflitos e até injustiças a Universidade de Passo Fundo chama a atenção para algo que vem merecendo estudos mais dedicados: o seu caráter comunitário. Ela não surgiu com recursos públicos, quer do Estado ou da União, nem pela ação de grupos econômicos privados ou confessionais. Brotou da comunidade, ela é decorrência de uma ação coletiva das pessoas que aqui moravam nos anos de 1950 e que, independente da origem, assumiram um desafio de fazer o que precisava ser feito. Simples assim… PS: Dizem que em tempos bicudos recordar é viver!

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