Solte a voz

Publicado em: 15/08/2006

Lembro de quando tinha uns 12 anos, lia tudo que pintava na minha frente. O importante era ler alguma coisa em voz alta. Lia jornal , bula de remédio. Ah lia também receitas de bolo. Na rua dedicava-me a ler todos os letreiros com que eu cruzasse.
Por Ricardo Medeiros

Cometi sacrilégio. Aceitei fazer liturgia na missa da Igreja Matriz de Joaçaba (SC) só para poder treinar a minha voz (ou será que eu gostava de rezar também? Tinha um pouco disto sim). Ficava ansioso esperando o momento de entrar em cena. Era a minha hora de estar na frente de todos, no altar, perto do padre. De todos me olharem. Silêncio. Eu leria.
Descobri, então, que queria trabalhar em rádio. Ou melhor: queria ser jornalista. Sair da região de Herval D´Oeste e Joaçaba (as duas cidades são separadas pelo Rio do Peixe) e voltar para Florianópolis para entrar no Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Santa Catarina. O que achava da minha voz? Agradável. Acostumei-me com ela após os momentos iniciais de surpresa: ah é essa a minha voz?
Contei tudo isso para os meus alunos de Introdução ao Rádio e Televisão na Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina. Relatei o que aconteceu comigo para encorajá-los a seguir adiante. A não ter medo das vozes deles.
Mas qual o primeiro passo, então, professor? Foi a pergunta de uma aluna. O primeiro passo, respondi, é aceitar que esta voz é sua. Grave-a várias vezes. Sinta, perceba, onde você tem mais dificuldades. Depois  dedique-se ao máximo para respeitar as pontuações e  a controlar a respiração. Aprenda a ter o mínimo de interpretação e a ler devagar, como se estivesse conversando com alguém. Faça igualmente exercícios para ter uma boa dicção.
Teu sotaque? Esqueça-o. Dito de uma outra forma: não tem problema em você mantê-lo. O importante é que você faça uma leitura que dê prazer a quem está te ouvindo.
Boa sorte. Persista. Insista. Solte a voz.


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