Sonho meu?

Publicado em: 15/05/2011

Não faz tanto tempo assim, as pessoas tinham um único emprego e eram capazes de viver dele, com relativo conforto. Hoje, a maioria precisa se desdobrar em várias ocupações e jornadas insanas, verdadeiros zumbis, para corresponder às expectativas do “mercado”: frequentar restaurantes “refinados”, embora não necessariamente bons; usar roupas e acessórios caros, nem sempre bonitos; cultivar hábitos onerosos, mas raramente prazerosos e, por vezes, viciosos.
O que importa é que isso seja feito em público, com grifes e rótulos bem visíveis; dizendo em que loja ou país comprou, ou qual a procedência, mesmo que ninguém pergunte. Tudo para “ser notado”, mostrar que “está bem”, para se sentir “superior”.

Numa sociedade condicionada a julgar indivíduos por aparências, muitos se endividam para viver esse sonho “terceirizado”; e não poucos vivem em função dele.

Nesse contexto, é comum vermos “mostruários” ambulantes, que pagam caríssimo para fazer “merchandising” gratuito de seus “símbolos de status”; ou indivíduos que enviam sinais de fumaça mal cheirosos em locais públicos, com seus charutos e cachimbos, apenas para serem notados.

O curioso é que, não faz muito tempo, o “must” era usar roupa feita sob medida. Nada era concluído sem a prova das roupas alinhavadas.
 
O uso de símbolos, normalmente brasões, só ocorria entre nobres e ricos burgueses: numa heráldica discriminatória, conveniente. Mas isso também ocorria no extremo oposto: em uniformes de clubes desportivos, escolas e empresas. Fora desse âmbito, exibir etiquetas era considerado “vulgar”.

Hoje, a obstinação em seguir “modas” e a doutrinação consumista transformaram pessoas em escravas das aparências. Algumas, de tanto mudar seus conceitos e hábitos para se adaptarem às “novas tendências”, acabam entrando “em parafuso”, beirando ou mergulhando fundo no ridículo e no endividamento.

Podem passar horas diante do espelho, com a intenção de chocar ou agradar aos outros, mas não gastam nem um minuto para sonhar algo de verdadeiramente seu, que as faça pessoalmente felizes.

Todos somos um pouco vítimas dessa escravidão, mesmo aqueles que se acreditam libertos, por terem poder aquisitivo para comprar e descartar sem culpa.

Deixamos de ser o que somos para sermos o que esperam lucrativamente de nós, não necessariamente para nosso bem ou felicidade. Deixamos de sonhar para nos render ao afã de possuir objetos de desejo impostos, paixão autoconsumptiva; ou sermos meros instrumentos para a concretização dos sonhos mutantes e oportunistas dos outros: mera massa de manobra, “rebanho de corte” financeiro.

Nessa maratona intempestiva para sobreviver num mundo que exalta com a mesma velocidade que despreza, somos exortados a estabelecer focos esquecendo que, assim, perdemos a visão do todo. Depois, nos dizem que precisamos ser multidisciplinares, flexíveis… Podemos ser tudo isso, mas se não parecermos… Em compensação, muitos parecem, mas não o são!

E os sonhos de cada um: onde ficam em meio a tudo isso?

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