Sorriu-me a publicidade

Publicado em: 12/09/2012

Duas mulheres. Duas loiras. Duas paixões. Duas profissões. As coisas não estavam bem no meu casamento profissional e repentinamente uma moça sorriu-me sedutora. O medo da separação e da reconstrução, entretanto, é inevitável. Não é fácil deixar tudo para trás e abraçar uma nova paixão. Não encontro as palavras para explicar isso ao passado e ao pouco que já foi planejado. Talvez eu consiga enganar uma e alegrar a outra. Mas é perigosa a bigamia. Em dados momentos as duas poderiam exigir muita atenção e eu não conseguiria sustentar essa situação. Também não quero ser bobo de apenas trair minha atual profissão, para viver uma paixão com a outra.

Mas, a verdade é que estamos casados há dois anos e ela não me valoriza. Não por menos, agora, me vem essa tal de insegurança.

Casei cedo, é verdade. Aos 16 começamos a namorar. Aos 17 estávamos noivos e nos víamos 24 horas por dia. Caí de cabeça nessa relação e sinto tantas feridas.

As circunstâncias não brincam quando precisam mudar nossa história. E quando está em jogo a minha eu deixo transbordar minha ansiedade e não importa se sofro. Sim, eu sofro, agonizo e grito alternativas para que brilhe minha satisfação.

Eu não deveria expor minhas duas mulheres, minhas duas paixões. Mas que sirva como um aviso aos desavisados. Caso eu não me case com ninguém e elas fiquem solteiras como eu, saberão meus convivas que existem dois exuberantes corpos com curvas perfeitas que hipnotizam o homem: o jornalismo e a publicidade.

Convicto, eu seguia compondo minha história ao lado do jornalismo. Tivemos noites memoráveis. Mas a pacóvia rotina deu-nos uma borracha para apagar os livros que escrevíamos juntos. Foi então que surgiu despretensiosa a publicidade.

Ela me disse que ao seu lado eu poderia ousar, ser criativo, crítico. Em inevitável comparação, lembrei-me das restrições encontradas no meu casamento pasteurizado. A dúvida invadiu minhas convicções e reli a linha de apoio: Uma perturbadora dúvida profissional acomete-me no início da composição da minha história.

Início da composição da minha história. Ali estava a resposta. Teimoso, ainda ouvi alguns amigos.

_ Vais ganhar bem mais dinheiro na publicidade.

_ A resposta está dentro do seu coração.

_ Mas você não amava jornalismo?

E amo. Amo muito. Mas lembrei-me da família que o jornalismo me deu. A sogra (editora) distorcia o que eu queria dizer. Os pauteiros (cunhados) não eram parentes e queriam que eu bebesse coisas que não gostava. Os sobrinhos (estagiários) só faziam bagunça que eu tinha que arrumar.

E assim comecei a decidir pela mudança. Chamei a publicidade para um jantar. Ela me veio de unhas feitas, cabelos escorridos, perfumada. Eu estava decidido a editar alguns capítulos da minha vida. Entreguei uma caneta à publicidade e ela escreveu-me: Que seja eterno enquanto dure.

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