Suprema ordem dos dignitários de Atlântida

Publicado em: 26/08/2013

De fato aconteceu: portuga vigarista enganou os “ladinos” do governo estadual, ou teria sido golpe de um espertinho local?

Maio de 1955 , governo estadual já empossado, formado por intelectuais de todos os calibres e origens. Havia até, imaginem, um ex reitor da Universidade de Coimbra; doutores de Harvard, Oxford e Sorbonne, ex embaixador do Brasil na Inglaterra, poliglotas, enfim, doutores em praticamente todas as ciências. De repente, muito mais do que de repente, chega à Ilha Encantada, o extraordinário Primaz da Grande Ordem de Malta. Cá estava ele, em seu português exoticamente refinado, para criar a Suprema Ordem dos Dignitários de Atlântida.

Vaidosos e com profunda deferência de seus concidadãos, Os Melhores Homens Bons, receberiam valiosas comendas, em fulgurantes solenidades em três fases diferentes: seriam no Salão Nobre do Palácio do Governo, depois no Palácio da Assembleia Legislativa (que ainda não tinha sido queimada), e por último a cerimonia de Consagração Pública seria realizada no Teatro Álvaro de Carvalho.

Nossa cidade ainda não tinha um hotel à altura de tão importante dignitário. Foi ele, então,  foi ele hóspede do Palácio Episcopal, onde o próprio arcebispo atendia a figura, até nos procedimentos domésticos.

Na época, tínhamos uma empresa, a TAC – Transportes Aéreos Catarinenses que colocou uma de suas duas aeronaves para servir com exclusividade tão ilustre e magnífico personagem.

As doações solidárias, verdadeiras fortunas em dólares, que cada um dos quarenta novos comendadores depositavam, foram cuidadosamente recolhidas a uma conta especialmente aberta no Banco de Crédito Real.

Um veículo especial, tipo limusine da época, era dirigida por um oficial militar acompanhado de três guarda costas, também capitães das três forças armadas. A missão dos nobres militares, além de dar importância aos atos, também não permitia aproximação de estranhos, e muito menos dos meios de comunicação da época: as rádios e jornais, pois ainda não tínhamos televisão.

Então ocorreu a tragédia. Encontraram o “attaché oriundo do Itamaraty, desmaiado e de maquiagem desfeita, com sintomas de ataque cardíaco, com um papel luxuoso nas mãos. Onde se lia: “Benditos sejam aqueles crentes e puros, que acolhem o peregrino desconhecido e lhe dão a hospitalidade material e dos seus espíritos evoluídos”. Assinado: Grão Mestre da Malta, dos detentores do poder de aliviar seus semelhantes do peso malévolo do vil metal. Estão devidamente abençoados.

Deputados, Secretários de Estado, Governador, Desembargadores e milionários, por vergonha ou por medo do ridículo, resolveram transformar o golpe em segredo de Estado.

E o A avião da TAC, por milagre ou planejamento bem feito, foi encontrado em um gramado enorme, de uma fazenda de gado do interior de São Paulo.

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