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Meu Caro Antunes Severo

Publicado em: 29/11/2017

Hoje, há um silêncio triste e reverente no dial de sua família, parentes, colegas e amigos. Sua transmissão pelos meios materiais cessaram porque você foi assumir seu lugar no broadcasting das paragens infinitas. Sua voz bonita e potente, de inflexão modelar e afirmativa, não poderá mais ser levada pelas ondas hertzianas. Suas ideias sempre criativas […]

Salve a imaginação!

Publicado em: 25/11/2016

Cresci no tempo do rádio, tempo em que a imaginação imperava. Vivemos, hoje, um tempo audiovisual, talvez muito mais visual do que auditivo. Sobretudo com o império da televisão, e depois das transmissões pela Internet, a predominância das imagens é inconteste. Ver parece ter se tornado sinônimo de viver. Naquele tempo, o cinema, com sua […]

Meu Jasmineiro

Publicado em: 23/11/2015

Todos nós trazemos da infância marcas indeléveis, inclusive as adoráveis. Em mim sobrevive, para minha felicidade, o cheiro de jasmim dos jardins suburbanos. Ainda hoje, esteja onde estiver, caso sinta, ainda que de leve, essa fragrância única, sou transportado na voragem da memória para as casinhas simples porém todas singelamente ajardinadas em que vivi. E […]

Escritores e o abismo do nada

Publicado em: 06/10/2015

Calma, prezado leitor. Já me explico, para que esta modesta crônica não fique parecendo com uma dissertação filosófica. Escritores sempre tiveram pavor de que seus escritos se apagassem, desaparecessem sem deixar vestígios. Era o pavor de que aquelas palavras grafadas depois de muito esforço, muito suor para domar as idéias e trabalhar a inspiração, sumissem, […]

Filas

Publicado em: 02/09/2015

Prezado leitor ou ouvinte, hoje eu estava numa fila refletindo sobre… filas. Provavelmente, você já fez a mesma coisa. Por isso, o convido a pensarmos juntos sobre elas. Não desejo buscar as raízes históricas dessa prática. Nem mesmo recuar muito, pois poderíamos chegar à fila primordial para cada um de nós: a fila dos espermatozoides no […]

Varandas

Publicado em: 18/08/2015

Varandas humanizam as casas com sua possibilidade de abrirem nosso olhar e nossos corpos para o imenso mundo lá de fora, mesmo quando permanecemos no abrigo seguro do lar. Olho daqui e vejo varandas suspensas em quase todos os edifícios mais novos em volta. Essa é uma salutar tendência incorporada às moradias verticais. Já que […]

Pequenos grandes mistérios

Publicado em: 27/05/2015

Para onde vai a brisa morna da tarde que, delicada e suave, nos roça a pele, desalinha de leve o cabelo e desaparece sem deixar vestígio, senão a memória dessa poesia de vento em nosso corpo? De onde vêm e para onde irão aqueles perfumes que, de repente porém intensamente, nos invadem as narinas? Em […]

Olhando as estrelas

Publicado em: 06/05/2015

A maior prova de que há menos vivência de poesia no mundo é que quase ninguém mais olha as estrelas. Repare, caro leitor ou ouvinte, que falo em vivenciar a poesia, não apenas em escrever versos, bons ou de pé quebrado, inspirados ou lamentáveis, assaz melosos ou lamentavelmente ideologizados. Vivenciar é mais que isso, é […]

Em busca da tarde suburbana

Publicado em: 20/04/2015

Na tarde suburbana, eu passeava meu descompromisso, depois da manhã consumida no estudo. O sol forte, ainda longe de ceder ao frescor da noite, exigia o abrigo dos ficus, árvores tão suburbanas quanto suburbanos sempre foram os pardais. Havia sempre cães ladrando na tarde. Latidos roucos de cães supostamente ferozes, por detrás das cercas ou […]

Com a mão na massa

Publicado em: 08/04/2015

Não sei você, caro leitor ou ouvinte, mas eu gosto muito de pastel com caldo de cana. E não é de agora, que as pastelarias de chineses e de coreanos pululam. É do tempo em que só havia pastéis gostosos em dois lugares: os insubstituíveis pastéis caseiros, feitos com ingredientes que incluíam o amor de […]