Televisão – ontem, hoje e amanhã

Publicado em: 10/02/2008

Lembro muito bem da conversa de dois diretores da TV Iguaçu com o poderoso Walter Clark na sede da TV Globo, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, contada por um colega presente nessa reunião. Era início do ano de 1967. 
Por Jamur Júnior

Paulo Miranda, diretor geral e Hiran de Hollanda, diretor de programação (amigo antigo de Clark) foram ao Rio de Janeiro em busca de uma programação para a mais nova emissora de televisão do Paraná, de propriedade do então governador Paulo Pimentel. A conversa entre os diretores terminou com uma frase de Walter Clark que ficou gravada na memória de todos. “Se vocês querem uma programação que ainda não dá IBOPE mas, que brevemente vai dominar a audiência por mais de 10 anos, vieram ao lugar certo. Mas se o objetivo é audiência imediata, recomendo a Record que esta liderando com sua programação”.
Hiran ouviu seu velho amigo e respondeu com a sinceridade que lhe é peculiar: “A emissora é nova, o dono é o governador e não podemos iniciar com uma programação sem grandes chances no momento. “
Alguns dias mais tarde o encontro foi com Paulo Machado de Carvalho diretor da Record em São Paulo. Em seu primeiro ano de vida a TV Iguaçu exibiu a programação da emissora paulista com grande sucesso.
A partir dali começaram a se confirmar as previsões de Walter Clark; a TV Globo subia de audiência e acabou por se constituir num fenômeno de popularidade e preferência no país.
Anos mais tarde Clark, o criador da grande rede de televisão no Brasil, fez uma declaração em entrevista a uma revista que chamou atenção: “A televisão brasileira em pouco tempo deverá retornar a regionalização de sua programação”.
Assim era no principio: a televisão exibia programas locais e alguns filmes estrangeiros. A previsão do ex-diretor da Globo ainda não se confirmou, mas não deve ser descartada totalmente. A hegemonia da Rede Globo dá sinais de enfraquecimento com a perda sistemática de audiência em horários importantes de sua programação, especialmente no de algumas novelas. A Record já conseguiu liderar em alguns horários e deixar para traz uma das novelas de horário nobre da Rede Globo ao mesmo tempo em que programas de final de semana têm segurado a rede da família Marinho em posições de audiência desconfortáveis e incompatíveis com os altos investimentos na produção de seus programas.
Toda concorrência faz bem para o consumidor e na televisão não é diferente. Para chegar aos índices de audiência que conseguiu, a Rede Record precisou se livrar de uma porção de “bispos” que usavam seus melhores horários para pregações enfáticas, chutes em imagens de santos e outros tipos de atitudes que nunca conquistaram público.
Investiram em profissionais qualificados, equipamentos modernos e o resultado aí está. Fica na história da televisão mais uma lição que poderia ter sido tirada de uma apostila do mestre Boni: o sucesso chega mais fácil quando se valoriza o talento dos artistas, jornalistas, diretores, produtores etc.
Seja em grandes redes ou em programações regionais, o êxito da televisão vai continuar dependendo do talento de seus profissionais e de cabeças privilegiadas como Walter Clark, Maurício Sobrinho, José Bonifácio (Boni) e tantos outros espalhados pelo imenso cenário da televisão brasileira.
 


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