“Tempo de abraçar e tempo de…”

Publicado em: 19/03/2020

O dia em que a terra parou: “O empregado não saiu pro seu trabalho, pois sabia que o patrão também não tava lá. Dona de casa não saiu pra comprar pão, pois sabia que o padeiro também não tava lá. E o guarda não saiu para prender, pois sabia que o ladrão também não tava lá. E o ladrão não saiu para roubar, porque sabia que não ia ter onde gastar…”

Trecho de uma das músicas de Raul Seixas. Com o aumento dos riscos de contaminação do Coronavírus 3 coisas me vieram à mente.

Aos 47 anos de idade nunca havia presenciado nada igual ou parecido. A lógica inicial é termos boas e confiáveis informações. Essas informações verdadeiras, das fontes confiáveis, se colocadas em prática por nós evitará o pânico. E sempre acreditei que o que mais mata em situações de risco é justamente o pânico. Seja num incêndio, afogamento ou troca de tiros entre policiais e bandidos. O viés da comunicação: O que não estou dizendo ao escrever isso? Não estou dizendo que quem morre num incêndio, afogamento ou troca de tiros é o culpado por sua morte. Não. Antes, que em momentos críticos agimos de formas impensadas. Quem de nós já não assistiu filmes onde nos parecia sem lógica as ações do ator, personagem? Chegamos a falar sozinhos como se o ator/personagem pudesse ouvir: “Não, essa porta não, não a abra”, “olhe pra trás”, “não entre no carro, não”. Claro, estamos de fora do “jogo”. Quem observa um jogador vê suas falhas, não as vemos quando estamos no jogo; é outra visão. E é o momento que vivemos.

Primeira coisa que lembrei sobre os cuidados com o Coronavírus: “Para tudo há um tempo determinado… Tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou… Tempo para chorar e tempo para rir…Tempo para abraçar e tempo para evitar os abraços…” Eclesiastes 3: 1 – 5. Bíblia. Segunda, a música do Raul. Claro que em sua letra deve haver outro contexto, mas me pareceu apropriado ao momento, na Grande Florianópolis, em Santa Catarina, no Brasil, no mundo. Pânico, não. Cautela, sim. Há exageros. Muitos pensando que é o final do mundo. Com certeza não é. Mas podemos treinar nosso psicológico e emocional. Precaução, cautela. O não sair de casa não é para ser levado ao pé da letra, antes, tomar os cuidados e só sair para o que for realmente necessário. Quando encontrarmos um amigo ou amiga evitar – abraçar, beijar e apertar as mãos. Aqui entra a terceira coisa que lembrei: “Quem é prudente vê o perigo e se esconde, mas os inexperientes vão em frente e sofrem as consequências”. Provérbios 22:3. Bíblia.

Esta semana fecho a coluna/crônica por aqui, dizendo: Seja equilibrado. Não entre em pânico, mas tenha cautela. Valorize a sua vida e em especial a do seu próximo, seja vizinho, familiar, amigos e desconhecidos. Para todos nós é um momento especial, diferente, assusta sim. Todos que acatarem as informações e instruções dos profissionais da saúde em especial repassadas pela imprensa vão sair dessa com grandes lições. Cada um dirá que lição ou lições aprendeu. Para isso precisamos parar algumas atividades e atitudes, e não paralisar. O dia em que a terra parou, não. O “dia”, o momento em que a humanidade refletiu sobre a vida; a minha, a sua, a de todos. Tempo de abraçar e tempo de voltar a abraçar. Para isso precisamos ser prudentes e não ingênuos. Outras coisas piores podem vir, e isso não é ser pessimista, antes, realista. É hora de reaprender. É hora de abraçar a vida, e não apenas a nossa, a vida como um todo.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *