Tempo de acordar

Publicado em: 13/05/2012

A falha de uma barra de ferro da torre da ponte provocou a tragédia. O sistema de barras de ferro de sustentação é o sistema da Hercílio Luz

Há o tempo de nascer e o tempo de morrer e, segundo a Bíblia, há o tempo de plantar e o tempo de colher. Mas há, também, o tempo de acordar. A cidade explode, a ninguém é dado o direito de dormir. Nosso raciocínio e nossa ação não podem mais ficar cingidos a um passado que, se não nos envergonha, também não nos enaltece muito. O futuro não perdoará nossa indolência. À minha frente a revista Americana Business Week, editada em Nova York. À página 158, uma reportagem sob o título Trying to Assemble Jigsaw of Tragedy – tentando reunir os escombros da tragédia. A reportagem focaliza o desastre ocorrido com a ponte Point Pleasant, sobre o rio Ohio, na Virgínia. Mergulhando no rio quando sobre ela transitavam 55 veículos, a ponte causou a morte de 43 pessoas.

Não pretendo entrar em detalhes, isso vem sendo feito através do rádio, há dois anos.

Cito algumas coincidências e algumas diferenças, todas elas assustadoras.

A ponte americana que ruiu tinha 40 anos e a ponte Hercílio Luz tem 42; a americana tinha 500 metros e a nossa tem 800; a de lá tinha 30 metros de altura máxima, a nossa também; a ponte americana era sobre o rio Ohio, água doce, portanto. A nossa está sobre o mar, suportando a ação  destruidora do salitre; a ponte americana foi construída pela US Steel’s American Bridge Division.  Como o nome está a indicar, uma divisão da US Steel Products Co. De Nova York, que construiu a nossa, juntamente com a Byington & Sundstrom.

A falha de uma barra de ferro da torre da ponte provocou a tragédia. O sistema de barras de ferro de sustentação é o sistema da Hercílio Luz.

Não me empolga o gosto pela tragédia barata nem me impulsiona a paixão pelo sensacionalismo ou pelo escândalo.

Vejam, contudo, o final da reportagem da revista americana:

– Felizmente, o seu tipo particular de construção não representa mais problema. Há, nos Estados Unidos, apenas uma outra ponte de igual concepção: é a ponte de St. Mary,90 milhas acima, no rio Ohio. No reto do mundo, tão longe quanto se saiba, a única ponte desse tipo está em Florianópolis (sic) no Brasil.

Há o tempo de nascer e o tempo de morrer e segundo a Bíblia, há o tempo de plantar e o temo de colher.

Mas, há também, o tempo de acordar.

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É inegável o sopro de inovação que varre a imprensa de Florianópolis. De minha parte, só ficarei plenamente satisfeito quando político deixar de ser ilustre, advogado não for mais causídico, médico ser médico, e não esculápio, a maconha deixar de ser a erva maldita, os problemas deixarem de ser magnos, os bombeiros se chamarem bombeiros e não heroicos soldados do fogo, hospital deixar de ser nosocômio e a praça ficar iluminada e não feericamente iluminada. Quase ia me esquecendo: o entusiasmo deixar de ser contagiante e a água passar a água mesmo, precioso líquido à parte.

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Uma notícia da UPI, divulgada pelos jornais:

Foi iniciada a troca final de prisioneiros de guerra entre Israel e a República Árabe Unida. Mais de quatro mil árabes foram trocados por quinze judeus.

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De garrincha, quando o locutor anunciou “e agora o adeus de garrincha ao nosso microfone”:

– Adeus microfone.

Adolfo Zigelli. As soluções finais. Florianópolis: Editora Lunardelli, 1975. Esgotado.

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