Todos os Bêbados

Publicado em: 31/08/2005

Todo bêbado é chato a partir do primeiro copo. É xarope, pegajoso, mala sem alça, um pé no saco, capaz de provocar crise de nervos até em monge tibetano. Mesmo tomando precauções, tenho a impressão que sou o sujeito mais azarado com bêbado.
Por Léo Saballa

Certamente exerço algum tipo de atração na comunidade pinguça. Não sei ao certo o que é, mas entre centenas de pessoas sob o mesmo teto, sempre sou o premiado. Basta-me chegar em algum ambiente festivo e logo um bebum conhecido ou anônimo gruda em mim.

Durante anos de torturantes conversas, cataloguei várias categorias de bêbados. Os mais conhecidos, claro, são os engraçados, os violentos, os conquistadores e os saudosistas. No entanto, algumas características permitiram-me detectar e batizar outras alas. Por exemplo, o bêbado-manteiga, aquele que dá um jeito de empurrar a conversa para uma perda pessoal. Então, se transforma em manteiga derretida e o choro do marmanjo é inevitável. Usa lenço para enxugar as lágrimas e chama a atenção de todos.

Tem o bêbado-egoísta. Aquele que não quer dividir a vítima com ninguém e cola feito papel de bala. Não adianta ir ao banheiro que ele também vai. Também não funciona pedir licença e tentar conversar com outra pessoa. Ele segura pelo braço e pergunta à queima roupa:
– Desculpa, estou sendo inconveniente?

O bêbado-oculista é menos possessivo, mas provoca sono quando fala exaustivamente. Toda pergunta formulada a ele começará a ser respondida com o famoso “veja bem”.

Já o bêbado-jacaré concorda com tudo o que ouve. Mas, nunca deixa de morder. Pode ser dinheiro ou cigarro. Usa o celular alheio e ainda pede ao garçom uma bebida na conta de alguém.

O bêbado-spray é o pior de todos. Com a voz empastada e língua pesada, respinga saliva na cara de quem o ouve. É perda de tempo virar o rosto para outro lado. Ele vai pensar que não está sendo ouvido, então aproxima a boca e provoca uma enchente na orelha do interlocutor.

Os bêbados estão aí, na mesa do bar, no churrasco com os amigos, no futebol e até em festa de igreja. É difícil se esquivar deles.

Mas existe uma maneira garantida de convivência: beber ceânicamente e ficar bêbado primeiro. Só um bêbado consegue aturar outro por mais de cinco minutos.


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