Triste comício do Valdemar

Publicado em: 26/08/2007

Houve época em que, chegados os últimos dias de campanha eleitoral, candidato que se prezasse não deixava de mandar, o mais longe que pudesse, sua palavra na reta final. Meu querido amigo Valdemar foi candidato a prefeito, pelo PRP.
Por Agilmar Machado

“Galinha verde”, como diziam os linguarudos da oposição, já que esse era o apelido dos integralistas e o PRP era uma sucessão do dogma do “M” deitado… Mas Valdemar fazia uma campanha de garimpagem, nos bairros mais afastados, até mesmo para evitar grandes “mordidas” dos famintos eleitores.
Chegou pra mim, no nosso ponto do café, e intimou: “Tu vais ter que transmitir meu comício lá numa biboca (barra pesadíssima) da zona sul”. Como negar? Um homem honesto, amigo de longa data, idealista… Lá fomos nós na noite aprazada.
Nenhum candidato do outro lado fazia presença. Talvez até não por ser uma zona afastada, mas sim, pela má fama do “pedaço”.
Começamos o comício sobre a carroceria de uma camioneta velha. Veio a empolgação quando o pessoal começou a apinhar a pastagem central, que ali substituía a praça. Já calculávamos por volta de quinhentos animados aplaudidores de plantão.
E aquela depressão geográfica foi enchendo cada vez mais. O Valdemar apurou nos argumentos, levou a fala para o lado popular…e dá-lhe lenha!
Mas tínhamos esquecido que deveria ter conosco chegado um dos principais “cabos eleitorais”, que era o delegado de polícia! Certamente, pelos menos na nossa concepção, seria muito oportuna sua presença.
Já passava de 22 horas, o povo todo ali, e o nosso delegado, nada!
Depois de algum tempo olhei uma lombada distante e constatei os faróis e a sinaleira giratória da velha Rural Willys, daquelas pretas com uma faixa branca…
Vibrei. O pior é que o delegado que vinha na boleia vibrou mais ainda: empolgado, abriu a sirena no máximo volume!!!
Passados dois minutos, não mais que isso, estávamos o Valdemar, o delegado e eu, sozinhos! A “platéia” não era afinada com os “home”.
 


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