Tristes conteúdos

Publicado em: 01/02/2012

Já escrevi sobre o assunto inúmeras vezes no Caros Ouvintes. Hoje tomo a liberdade de lhe apresentar, caro leitor, a opinião do experiente advogado Dr. Domingos Moro que recentemente foi comentarista da CBN de Curitiba.

“A boa informação é obrigação dos veículos de comunicação. Debatem exaustivamente temas sem o menor interesse, com vozes sobrepostas que não permitem a compreensão dos atônitos ouvintes”.

MÍDIA | Opinião | Dr. Domingos Moro

“Acompanho todo o noticiário sobre o futebol, em quaisquer dos canais disponíveis: no rádio, nos jornais impressos, nas televisões aberta e fechada, na internet e em redes de relacionamento. Pela pobreza de conhecimento, por Tristes Conteúdos, o rádio tem me surpreendido negativamente. Um milhão de abraços para ouvintes, saudações sem o menor sentido, opiniões descabidas e que evidenciam falta de conhecimento, falta de informações precisas e despreparo.
Histórias e estórias pessoais que não interessam a ninguém e que remetem os ouvintes ao passado que realmente passou e que não deixa qualquer saudade. Falam de falta de “Mobilização Urbana”, quando deveriam tratar de “MMobilidade Urbana”, em se tratando de assuntos relacionados com temas das cidades envolvidas na Copa do Mundo FIFA 2014 e de aeroportos que nunca conheceram ou conhecerão. Debatem exaustivamente temas sem o menor interesse, com vozes sobrepostas que não permitem a compreensão dos atônitos ouvintes.

Na ausência de notícias e informações lá vem a leitura integral de textos publicados em jornais e sites especializados (em vezes não dando os devidos créditos), abrindo espaço para fofocas, especulações e interesses pessoais.  Mistura de assuntos e de temas numa confusão imensa. Talvez sejam as tais “ondas” dos rádios…

Entrevistam personagens desconhecidos e invariavelmente inaudíveis.  Erros grotescos de português e de concordância em frases e pronunciamentos. Os microfones parecem que estão pintados com as cores dos clubes. Existe um nítido sentimento de identificação com determinados clubes. Perde-se a isenção e desvaloriza-se o elogio, fulminando a crítica (sempre necessária). Rareiam as opiniões abalizadas e sérias. Editoriais, nem pensar.

A força do rádio é extraordinária e no futebol o rádio é fundamental. Então que melhorem os conteúdos, o português usado, as colocações feitas. Só que o rádio, o bom rádio, deve ser feito “por gente do rádio” e não por “gente que se diz do rádio”. Basta de bobagens e de gritarias, de arroubos de conhecimento de alguns que não sabem sequer o que é uma bola, de “professores” de tudo, de agressões aos ouvintes daquele que é um instrumento fantástico de comunicação.

Ao RÁDIO os meus mais profundos respeitos e aos inúmeros bons RADIALISTAS também. Aos OUVINTES a minha preocupação com tantas informações conflitantes e tendenciosas. “A melhor informação é a buscada e nunca a emprestada e a desacreditada”.

* Domingos Moro  é advogado dos mais respeitados  na área do direito esportivo. Já atuou como vice-presidente de futebol do Coritiba FC. É considerado um dos mais importantes advogados dos clubes junto aos Tribunais de Justiça Desportiva em nosso país.

1 responder
  1. Roberto says:

    Parabéns pelas colocações.
    Esta publicação resumiu tudo que muitos imaginam mas não falam.
    Eu concordo plenamente com a falta de preparo dos “locutores” e “comentaristas” do futebol, atualmente.
    Imaginem que no afastamento do treinador do Santos, no último trimestre de 2011, um comentarista de uma rádio AM, da capital de Santa Catarina, sem saber o motivo do afastamento do treinador, saiu-se, AO VIVO, com a seguinte frase: “… Viu, ele já tá abandonando o campeonato brasileiro e se focando somente no mundial. Isso é um decisão errada do Santos e do Maricy”. Em seguida o âncora da discussão tentou intervir, corrigindo, e informando ao “comentarista” que o afastamento era por motivos médicos, mas já era tarde.

    Um absurdo! O individuo entrar no ar, sem ao menos ler a notícia por inteiro.

    Este é o rádio que estamos a ouvir.
    Que inveja dos “experientes” que tiveram uma rádio respeitosa e atenta aos ouvintes e às notícias.

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