Tudo Ao Vivo

Publicado em: 13/01/2013

Memória | Capítulo 19 | Tudo Ao Vivo

Dessa eu já nem lembrava mais. Foi num encontro na Rádio CBN, quando participamos de um programa focalizando o passado da radiofonia paranaense, que o João Lídio Seiller Betteja me trouxe à lembrança esse acontecimento. Dono de uma memória de causar inveja, o Bettega lembrou do tempo em que começávamos as nossas carreiras na Rádio Marumby.

Foi em 1952. Era o mês de junho. Eu fizera uma radiofonização da vida de Santo Antonio e nossa improvisada equipe de radioteatro estava a apresentá-la com capricho e emoção. Ali estavam Vicente Mickosz, Sílvia Loretti, Carlos Nogueira e Regina Célia, entre outros. O locutor José Jurandir Pupia também havia sido convidado, mas não chegara em tempo. O narrador era o João Lídio Seiller Bettega, o Dide. A sonoplastia ficou a cargo do Osny Bermudes, que era muito bom nisso.

Eu havia colocado num trecho do script a palavra “VOZERIO”, indicando que era uma cena em que as pessoas falavam ao mesmo tempo, ruidosamente. Chegado aquele momento, todo mundo começou a falar desordenadamente, fazendo aquele vozear que a cena pedia. Foi quando entrou no estúdio o retardatário Zé Pupia, e sem saber o que se passava gritou a todo pulmão: “FORÇA, MACACADA!”.

Isso, ao vivo, no meio de uma cena dramática da radiofonização da vida de Santo Antonio. Lembrou o Dide que eu fiquei louco da vida.

“Bira, você queria matar o Zé Pupia”, exagerou ele.

O Pupia era um cara muito legal, um amigão que todos nós queríamos bem, mas embora sem maldade quase acabou com a nossa apresentação dramática em louvor a Santo Antonio.

Equipe da Rádio Marumby nos anos 50: Sílvia Loretti, Vicente Mickosz, Ubiratan Lustosa, Herrera Filho, Regina Célia, Seiller Bettega e Norberto Castilho.

SELETO É CIDADE?

O Ernani Buchmann é um excelente contador de causos. Dentre as suas inúmeras narrativas, muitas das quais publicadas, ele me contou as duas que seguem.

Certa vez, inesperadamente, pediu demissão o locutor que fazia o plantão esportivo da Rádio Clube Paranaense. Coisa de última hora. No aperto, o diretor do departamento esportivo catou um locutor novo que viera do interior e havia ingressado na emissora, dono de uma voz bonita e forte. Ótima voz para plantão esportivo, no estilo do Oldemar Kramer que já era o craque da época. Apesar de estar por fora do futebol paranaense, o novato aceitou o convite.

Então foi anunciada a sua estréia numa rodada em que jogariam, na Capital Atlético X Coritiba, e em Paranaguá o Seleto daquela cidade, contra o União de Bandeirantes.

Chegou o dia e a audiência da Rádio estava explodindo por causa do Atletiba. Os jogos correndo e a expectativa de ouvir o novo plantão aumentava cada vez mais. A equipe que transmitia o Atletiba esperava ansiosamente o primeiro gol em algum dos outros jogos, só para escutar a voz do estreante. De repente, ouviu-se o vozeirão chamando:

– Ayrton!

E o narrador Ayrton Cordeiro respondeu:

– Esta é a voz do novo plantão esportivo da Bedois, a revelação que veio de longe. Fala, Carlos Marássi!

E o Marássi, emocionado pela estréia, trocou as bolas e falou:

– Em Seleto, Paranaguá 1, União 0.

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