TV Catarina apresenta: Hilário Silvestre

Publicado em: 07/12/2008

Está no ar a TV Florianópolis, Canal 11. Os frágeis sinais de áudio e vídeo mal cobrem o centro da cidade nos primeiros dias de transmissão experimental, em novembro de 1964.

Monitor de v?deo e rádio, 1964

Monitor de vídeo e rádio, 1964

Com os ajustes, os técnicos chegam à potência máxima dos equipamentos estendendo a cobertura aos bairros mais próximos do centro e a Coqueiros, Estreito e Balneário no Continente. A aparelhagem é constituída de um transmissor de áudio de 250 Watts e um transmissor de vídeo de 500 Watts, marca Maxwell, duas câmeras Philips não profissionais e uma mesa de som de fabricação caseira.

Esse aparato formava o estúdio instalado “nos altos do Ed. do antigo Chiquinho, na confluência da Trajano com a Felipe Schmidt” no dizer de Lázaro Bartolomeu em sua coluna no jornal O Estado. O sistema irradiante – torre e antena – estava do outro lado da rua na cobertura do Ed. Massad, ocupado pelo Lux Hotel, um dos mais chiques da cidade e famoso pela boate instalada no primeiro andar e o Bar Ponto Chic no térreo.

A emissora funcionava precariamente, pois sem licença, não se poderia caracterizar como “caracteres experimental”, mas mesmo assim mantinha uma programação mínima, onde, por exemplo, desfilava a fina flor da sociedade apresentada pelo colunista social Lázaro Bartolomeu que registra em seu livro Grande Gala (edição de 1973): “Apareci então, pela primeira vez, em caráter oficial, no vídeo de uma emissora de TV, com meu programa “Radar na Sociedade”, às 21 horas, uma vez por semana. Posso, por isso, me considerar o pioneiro em crônica social na televisão catarinense. Na época, apresentei várias damas de nossa sociedade, iniciando com Terezinha Silvestre, esposa de meu amigo Hilário Silvestre”.

Referindo-se a TV Florianópolis, Dulce Márcia Cruz (Televisão e negócio – a RBS em Santa Catarina, 1996, p. 55) anota que “entrou no ar com uma programação local de segunda à sábado, das 18 às 21 horas e aos domingos das 13 às 21 horas. As duas câmeras da emissora alternavam programas ao vivo (infantis, entrevistas, noticiários) com filmes curta-metragem e de desenhos animados cedidos por embaixadas estrangeiras”.

Um dos fatos curiosos da implantação da TV Florianópolis é que o empreendimento foi morto pelo remédio: o pedido de abertura de concorrência para concessão de um canal de televisão para a Capital, feito por Hilário Silvestre, levou o poder concedente a mandar lacrar a emissora, conforme conta Dulce Márcia Cruz:

“O edital 13/65, publicado no Diário Oficial da União de 05/03/1965, abriu a concorrência para a concessão de um canal de televisão para Florianópolis. Participaram, além da Empresa Catarinense, de Hilário Silvestre, outros quatro grupos. Entre eles, a Rádio e Televisão Cultura Ltda, da Sociedade Pró-Desenvolvimento da Televisão em Florianópolis – que operava as retransmissoras da TV Piratini, de Porto Alegre, para a região e tinha o apoio do ex-governador Aderbal Ramos da Silva, do PSD – e a TV Campeche Ltda, formada por pessoas ligadas à família Bornhausen, da UDN. Logo após a publicação desse edital, chegou do Rio de Janeiro uma ordem para lacrar a TV Florianópolis, o que foi feito em 09/03/1965”.

Moacir Pereira (Imprensa & Poder – a comunicação em Santa Catarina, 1992), complementa: “Hilário Silvestre cansou de viajar ao Rio de Janeiro para conquistar a autorização do CONTEL e colocar a emissora novamente no ar. Todas as portas se fecharam às suas investidas. Informações contraditórias marcaram sua missão. Soube mais tarde que o processo do Canal 11 havia desaparecido misteriosamente nos escaninhos da burocracia federal. Ou, como suspeitam colaboradores de Silvestre, (o processo) foi desaparecido”.

Na próxima semana: Luta de Silvestre abre as portas para o surgimento das TVs Cultura, canal 6 (Record) e Catarinense, Canal 12 (RBS).

2 respostas
  1. Donato Ramos says:

    Antunes:
    Foi nessa Televisão que em vim trabalhar a seu pedido? Foi, sim. Me lembro muito bem! Pedi demissão da Rádio Mirador de Rio do Sul.Eu ia ser candidato a Deputado e desisti prá ser – como você me dizia – pioneiro de TV em Santa Catarina. Muito mais importante ser pioneiro do que arriscar perder a eleição, não é mesmo? Anos depois fui candidato a vice prefeito em Cascavel. Nunca vi ninguém perder tão feio! Isso ajudou muito em minha carreira, isso de ser pioneiro.Nunca mais me deram emprego em televisão. No meu lugar foi escolhido o Ivo Knoll para ser candidato a Deputado. (Vi o Ivo dia destes na porta do DEINFRA. Depois, sumiu. Escafedeu-se. Grande Ivo. Grande Deputado por Rio do Sul. Era o ano da redentora, 1964. Antunes: Eu era aspone ou coisa parecida?
    Eu me lembro de um programa que fizemos e deveria a Câmera se aproximar (um close up, ou um plano americano pelo menos, da barriga prá cima). Mas como dar o close? A câmera era fixa, ou melhor, não era fixa, corria num trilho e dava soquinhos. Aí, o camera-man vinha devarinho empurrando aquela coisa grande até chegar na cara do freguês. Tava feito o close, uai!
    Tinha outra passagem que falava de neblina na música que não sei quem – uma dupla – cantava (Não era Los Vinhales, não!). E a neblina? E agora, seu Eurides?
    Aí, você comprou minha idéia e saímos à procura de um filó, aquele tecido todo furadinho, transparente. Era domingo. Mas isso não foi problema. Não é que tinha lojinha de turco ali perto? (na verdade tava assim cheio de lojinha de turco) Compramos um pedaço de filó. Prá quê? Colocamos na frente dos dois gajos, nós segurando o dito cujo do filó cortado no meio, um de cada lado da dupla e, na medida em que cantavam, vinham andando em direção da câmera fixa. Quando chegavam bem perto, a gente ia abrindo, como uma cortina de zona. Ficou lindo? O Antunes se lembra…? Quem não se lembra, porque não era nascido é o atual presidente da Associação de Jornais de Santa Catarina que disse dia destes: Donato? Esse é desconhecido! Ele também não viu nós dois no Teatro Álvaro de Carvalho anunciando o Rancho do Amor à Ilha, do Zininho. Bem feito!Precisava ver o Antunes e eu de smoking, quarenta graus, suando feito uns não-sei-o-quê… Dia destes te conto um susto que levei, na época das últimas eleições: vi um cartaz com um nome de candidato: Meu amigo, gritei eu! Olhei mais demoradamente, em baixo do nome estava escrito: JÚNIOR. é, PENSEI, VAI SER VELHO ASSIM LÁ LONGE! mAS, VOLTEMOS À TV FANTASMA.
    Belos tempos. Mas a Emissora de TV não ficava ali em cima do que é hoje a Livraria Catarinense?
    É que faz um tempinho e eu estou com um filó daqueles na minha mente… Pouco vejo olhando prá trás!
    Abraços.
    Donato Ramos
    [email protected]
    http://www.jornalculturaelazer.zip.net

  2. Antunes Severo says:

    Caro Donato, velho matreiro.
    Você está é com essa cabecinha muito bem conservada e fica tirando uma de esquecido. O quadro era esse mesmo, em preto e branco e rarefeito como você fala, como uma imagem vista através do filó. Através no sentido de “por entre” assim como está no dicionário. Era assim que a gente andava por entre as nuvens do pioneirismo. E como era bom! E como aprendemos! Aprendemos até a viver! Viver e chegar beirando os oitenta, livres, leves e soltos. Lampeiros, o que é melhor ainda. Como já me ouviste antes, ouso te propor: deixa as mágoas de lado; os desentendimentos que se danem até se esfacelarem no nada, pois para que a vida esteja muito legal – é incrível – mas, é só acreditar que está legal. Creia-me.
    Te amo faz muito tempo e o boi não lambe.

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