TV Catarina apresenta Mário José Gonzaga Petrelli – 4

Publicado em: 02/02/2009

Enquanto em Santa Catarina as confabulações tomavam conta das lideranças políticas e econômicas interessadas em controlar o comando da televisão no estado, um pouco ao Sul um grupo empresarial espreitava.

Espreitava e agia com passos medidos e caminhos bem estudados. Sua motivação, além do poder decorrente do domínio de um sistema de comunicação estava no principal objetivo do grupo: uma oportunidade empresarial que se apresentava com grandes possibilidades de sucesso.

Enquanto isso, as tratativas articuladas por Mário Petrelli continuavam avançando. Depois de receber o sinal verde dos empresários joinvillenses ligados à futura TV Santa Catarina e articular-se com representantes dos grupos políticos de Aderbal Ramos da Silva e Konder Bornhausen, Petrelli comemora o avanço das negociações rememorando o encontro que tivera com todos os interessados na solenidade de inauguração da sede da TELESC: 

“(…) nós iríamos ganhar a TV de Florianópolis, e aí ganhando a TV em Florianópolis, nós tínhamos a Globo em Blumenau e levaríamos a (programação) Globo para Joinville porque não havia outra rede. Então, aquele pessoal todo disputando uma concessão, mas para que geradora (com que programação)? Do mesmo jeito que nós estávamos disputando a concessão para Joinville sem ter ainda uma geradora, por isso que a Coligadas foi importante pra mim. Caiu do céu a compra da Coligadas que me viabilizaria Joinville”.

A TV Cultura de Florianópolis transmitia a programação nacional da TV Tupi dos Diários e Emissoras Associados e a TV Eldorado de Criciúma (do grupo Diomício Freitas) estava com a programação da TV Bandeirantes de São Paulo. Portanto, não entravam nas negociações

A articulação foi conduzida com tal êxito que permitiu ao empresário Mário Petrelli sensibilizar o governador Antônio Carlos Konder Reis que, segundo suas palavras “(…) ficou muito entusiasmado e assumiu um compromisso conosco. Era tão evidente que nós estávamos no caminho certo que o diretor do Jornal de Santa Catarina (do grupo da TV Coligadas) era o Victor Márcio Konder (sobrinho do governador)”.

Eis que surge a primeira surpresa: “Quando… efetivamente no apagar das luzes aquilo que tinha sido um compromisso de que nós receberíamos o apoio (do governador), porque pra comprar nós fomos utilíssimos e pra resolver Blumenau nós resolvemos bem, pra resolver Joinville, resolvemos bem, pra acertar Florianópolis acertamos tudo, mas na hora de receber a concessão, com todo o acordo, com toda a garantia de que teríamos o apoio do governador… num determinado momento o governador… deixou de dar este apoio e os motivos a história um dia deve contar”, concluiu o empresário Mário Petrelli.

Em Porto Alegre, o Coojornal assim descreve o episódio: “Surpresa geral em Santa Catarina. Derrubando outros quatro grupos catarinenses, o grupo gaúcho Rede Brasil Sul de Comunicações – jornal Zero Hora, Rádio e TV Gaúcha – venceu a concorrência para exploração do Canal 12 de Florianópolis. Surpresa porque dois dos grupos catarinenses eram ligados às oligarquias Ramos da Silva e Konder Bornhausen, que compõem as duas alas da Arena local”.

Afinal, os pretendentes conheciam e dominavam aquele setor. Por isso, a exclamação de Maurício Sirotsky Sobrinho em dezembro de 1973 quando da publicação do edital que colocava em disputa um segundo canal de televisão em Florianópolis: “Agora sim é a nossa vez… Agora nós vamos chegar lá”.

Fontes consultadas:
Instituto Caros Ouvintes, entrevista de Mário Petrelli, maio de 2006.
Moacir Pereira, Imprensa e Poder, 1992.
Dulce Márcia Cruz, Televisão e Negócio, 1996.
Luiz Cláudio Cunha, Coojornal, edição junho, 1977.

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