TV Catarina apresenta Mário José Gonzaga Petrelli – 5

Publicado em: 09/02/2009

A entrada da RBS no estado de Santa Catarina tem como conseqüência a imediata desarticulação de um sistema de forças há muito implantado.

Mário Petrelli percebendo essa possibilidade e com a necessária antecedência reforça suas parcerias empresariais e políticas que se mantiveram fiéis, exceto o governador Antônio Carlos Konder Reis a quem cabia se pronunciar em caso de consulta do ministério das Comunicações.

O jornalista e analista político Moacir Pereira (Imprensa e Poder, 1992, p. 137) fez a seguinte leitura do episódio: “A decisão patrocinada pelo então Ministro das Comunicações, Euclides Quandt de Oliveira, explicava-se pelas circunstâncias políticas de Santa Catarina naquele ano de 1977 e por fatores que formavam o esquema de poder do regime militar. Consultado pelo governo federal, praxe adotada em todas as concorrências públicas para outorga de canais de televisão, o governador Antônio Carlos Konder Reis (Arena) não manifestou preferência por nenhum grupo catarinense. Nos termos rigorosos do Edital, contrariava até a legislação, obrigando que o vencedor fosse um ‘grupo local’, enraizado. Lavou as mãos, transferindo a deliberação ao Ministério das Comunicações, já sabendo previamente que tal liberação contemplaria o grupo gaúcho, em consequência das articulações feitas em Brasília pelo jornalista Maurício Sirotsky Sobrinho, fundador e presidente da RBS”.

O projeto de Mário Petrelli, com esses fatos, entra em fase de turbulência, pois o bem maior que estava em jogo mantinha-se acima da conquista ou compra de canais. Estava em jogo, na verdade a disputa para saber com quem ficaria a programação da Rede Globo.

Petrelli, em Santa Catarina, comprara a TV Coligadas com a programação Globo com quem mantinha contrato até 1979. Maurício Sirotsky, no Rio Grande do Sul, era de longe a mais importante rede regional de televisão integrante da Rede Globo.

Na prática, ao conquistar o canal da TV Catarinense de Florianópolis, a RBS assegurava a filiação à Globo e retirava de Petrelli não só a programação da Coligadas como inviabilizava o acordo com Joinville para operação do canal 5.

Os novos rumos

As circunstâncias desfavoráveis produzidas pela RBS iam além dos interesses do grupo liderado por Mário Petrelli. Darci Lopes que liderara a implantação e dirigia a Rádio e TV Cultura de Florianópolis, além de ganhar um concorrente, simultaneamente perdia sua programação nacional com o esfacelamento da TV Tupi e demais emissoras dos Diários e Emissoras Associados.

Analisando o novo quadro Mário Petrelli que de fato perdera a programação da Rede Globo, vende a TV Coligadas de Blumenau e as emissoras de ondas médias e freqüência modulada da Rádio Diário da Manhã de Florianópolis para a RBS. Compra a Rádio e TV Cultura que também detinha a concessão do canal 12 de Chapecó e conquista a concessão da TV Barriga Verde para Florianópolis e ao mesmo tempo inclui em seu projeto a participação de Roberto Amaral com a TV Planalto de Lages. Dessa aliança resulta o ganho das concessões da TV O Estado de Florianópolis e O Estado de Chapecó. Com a posse dos novos canais, Mário Petrelli vende a concessão da TV Chapecó para a RBS.

Em resumo, num determinado momento o grupo de Mário Petrelli detinha os seguintes meios de comunicação em Santa Catarina:

Florianópolis
TV Cultura, Rádio Cultura, TV Barriga Verde, TV O Estado e Rádio Jornal A Verdade (Mais Alegria).

Blumenau
Jornal de Santa Catarina, rádios Tropical e Blumenau.

Chapecó
TV O Estado e Rádio Índio Condá.

Estava articulada a formulação da primeira grande rede de comunicação de Santa Catarina com a implantação do Sistema Catarinense de Comunicações.

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