TV Catarina apresenta: Mário José Gonzaga Petrelli – 1

Publicado em: 11/01/2009

Dez anos depois da chagada das TVs Coligadas e Cultura, são instaladas mais três emissoras no estado: Eldorado Catarinense de Criciúma, Catarinense de Florianópolis e Santa Catarina de Joinville.

O período que vai de 1969 a 1979 é um dos mais turbulentos da história das comunicações em Santa Catarina, em especial no que se refere à televisão e ao jornalismo impresso. E dentre os personagens em evidência está o empresário catarinense Mário Petrelli. Enquanto grupos políticos locais se digladiam na disputa dos canais de rádio e TV, Petrelli articula coligações, parcerias e acordos, pois se antecipava à grande mudança que viria ocorrer com as novas concessões e a formação das redes de programação em Santa Catarina.

Mário Petrelli é um empresário da área de seguros com atuação nacional e amplo relacionamento com lideranças econômicas, políticas e militares que a partir de 1970 ingressa no ramo da comunicação. Seu início foi no estado do Paraná fazendo parte da aquisição de duas emissoras de rádio e depois mais uma em Joinville, em Santa Catarina.

“… toda a minha atividade sempre foi na área de seguros, através da qual fiz amizades no país inteiro e conquistei, sem falsa modéstia, uma boa posição no mercado”, me disse ele em maio de 2006, quando conversamos sobre os investimentos da família no mercado catarinense. E completou: “Eu sempre fui um sujeito muito dado com a área de amizade, muito de exteriorização. E seguro é uma área que o sujeito vive muito ligado aos relacionamentos, e obviamente que comunicação era a mesma coisa”.

Com o início de operação da TV Coligadas em 1969, da TV Cultura em 1970 e o subseqüente sucesso dessas emissoras, observa-se que o meio televisão representa um poder até então desconhecido e uma oportunidade empresarial com possibilidades de retornos econômicos consideráveis. Ressalte-se que, embora na constituição acionária houvesse alguns medalhões dos meios econômicos, políticos e sociais, esses empreendimentos estavam nas mãos de pessoas sem vínculos declarados com as lideranças tradicionais do estado, especificamente as famílias Ramos e Konder Bornhausen.

A evidência do desconforto das lideranças tradicionais fica demonstrada quando da publicação do edital para a concessão do segundo canal de televisão para Florianópolis, em 1973. Entre os concorrentes estão os grupos de Aderbal Ramos da Silva (PSD – Partido Social Democrático) e de Mário Petrelli (que estaria representando os interesses da família Bornhausen). Fora as famílias Ramos e Bornhausen entraram na disputa Darci Lopes da TV Cultura e Maurício Sirotsky em nome da Rede Gaúcha-Zero Hora de Porto Alegre.

Este episódio, como o anterior verificado na concessão e implantação da TV Cultura, teve uma demorada gestação e lances políticos de grande repercussão que culminaram com a inesperada (pelos políticos) decisão do governador Antônio Carlos Konder Reis. O governador consultado por Maurício Sirotsky sobre sua posição do governo de Santa Catarina, respondeu que já manifestara ao presidente da república sua posição por uma solução profissional. Maurício imediatamente entrou em contato com o Ministro das Comunicações e pediu-lhe que confirmasse com o governador.

O desfecho desta contenda ocorreu em 1977, portanto quatro anos depois, com a outorga do canal para a Rede Gaúcha-Zero Hora. Ocorre que nesse intervalo de tempo entre os dois fatos – publicação do edital e outorga da concessão – outro episódio marcante acontecera: há uma cisão na diretoria da TV Coligadas e os sócios majoritários resolvem vender a concessão.

Este é o tema de nosso próximo encontro semana que vem.

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