TV Catarina apresenta Maurício Sirotsky Sobrinho – 3

Publicado em: 09/03/2009

Uma das primeiras conclusões do estudo sobre o mercado catarinense evidenciava o predomínio do interesse político em detrimento do comercial empresarial. Com a experiência profissional no Rio Grande do Sul onde liderava em cobertura, tecnologia de geração e de distribuição de sinal, à RBS se tornou claro o caminho em Santa Catarina: fortalecer os laços com o governo do Estado. Sobre o fato Dulce Márcia Cruz comenta no livro Televisão e Negócio: “É importante ressaltar aqui o acerto da visão política dos Sirotsky sobre as elites catarinenses. Mesmo estando no Rio Grande do Sul, a RBS já estava muito próxima do governador de Santa Catarina ao contratar em 1976, um assessor direto de Konder Reis, Ariel Botaro Filho”.

Com a experiência profissional no Rio Grande do Sul onde liderava em cobertura, tecnologia de geração e de distribuição de sinal, à RBS se tornou claro o caminho em Santa Catarina: fortalecer os laços com o governo do Estado.

Sobre o fato Dulce Márcia Cruz comenta no livro Televisão e Negócio: “É importante ressaltar aqui o acerto da visão política dos Sirotsky sobre as elites catarinenses. Mesmo estando no Rio Grande do Sul, a RBS já estava muito próxima do governador de Santa Catarina ao contratar em 1976, um assessor direto de Konder Reis, Ariel Botaro Filho”.

O jornalista catarinense era chefe da assessoria de comunicação de Antônio Carlos Konder Reis, quando foi nomeado representante da Zero Hora em Santa Catarina. Sobre o fato, entrevistado por Dulce Cruz, eu afirmei: “A RBS fez excelente lobby junto ao governador do Estado. Esse processo de lobby foi feito com muito cuidado, muito detalhamento”.

Apesar de toda essa precaução Maurício Sirotsky sabia das dificuldades que deveria enfrentar, como disse Nelson Sirotsky em entrevista à autora de Televisão e Negócio ao se referir aos concorrentes do novo canal: “Um era um grupo ligado ao jornal O estado, ao Dr. Aderbal Ramos da Silva, (que) na época era vivo. Era um grupo muito forte de competição. O outro era um grupo ligado ao Mário Petrelli, leia-se Jorge Bornhausen, que na época era presidente do Banco do estado de Santa Catarina e depois veio a ser governador”.

A precaução era procedente porque além da RBS (disputando como Rede Gaúcha Zero Hora) entraram na disputa do canal 12: a TV Jurerê do grupo liderado por Aderbal Ramos da Silva, através de José Matusalém Comelli; a TV Sol e Mar representada pelo grupo de Mário Petrelli; e TV Iguaçu do grupo liderado por Darci Lopes da Rádio e TV Cultura de Florianópolis.

A par dessa disputa na frente política a RBS reforçava os seus laços com a Rede Globo, como declarou Nelson Sirotsky na entrevista citada: “Fomos na Globo e falamos: olha aqui pessoal, se vocês quiserem – e nós tivermos êxito no nosso projeto em Santa Catarina de obter a concessão de Florianópolis – nós vamos montar o projeto Globo lá e aquilo que é um problema para a Globo, deixará de ser um problema, porque na nossa mão nós asseguramos que vamos botar esse negócio pra frente. Eles nos deram o sinal verde. Se vocês ganharem, terminado o contrato com a Coligadas, nós fazemos o contrato com vocês”.

Na prática foi o que aconteceu e a RBS retribuiu instalando duas emissoras: A TV Catarinense, canal 12 em Florianópolis e a TV Santa Catarina, canal 5 de Joinville.

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