TV Catarina apresenta Maurício Sirotsky Sobrinho – 6

Publicado em: 06/04/2009

Iniciamos na semana passada a reprodução dos depoimentos registrados na Mesa Redonda promovida pela RBS em Florianópolis, em abril de 1979.

Depois de Emílio Cerri, que foi o primeiro a se pronunciar, seguiu-se o empresário Antônio Koerich, à época diretor comercial das Organizações Koerich. Obedecendo a sequência dos debates apresentamos a seguir as participações de Antônio Koerich, na condição de maior anunciante de varejo do rádio e da televisão em Santa Catarina; seguido de Oswaldo Moritz, diretor dos Supermercados A Soberana e presidente da Associação Comercial de Florianópolis e da Federação das Associações Comerciais de Santa Catarina; Júlio Pacheco, diretor da Gran Meta Publicidade; Roberto Costa, diretor da A.S. Propague; e novamente do publicitário Emílio Cerri.

Koerich: Na qualidade de anunciantes, reclamamos, às vezes, da colocação e da atuação dos serviços, agregado e adicional, das Agências de Propaganda. Entendemos que a agência de publicidade deve, evidentemente, fazer suas cobranças pelos serviços que presta, mas também que ela deva oferecer algum trabalho adicional.

Oswaldo: “Considero que as agências de publicidade de Santa Catarina tiveram um avanço relativo em função das características do estado, que não tempo, por exemplo, uma região pólo em termos de população, que concentre todas as atividades dentro do próprio Estado. Além disso, aqui em Florianópolis, existe um relacionamento mais lógico, de comunicação direta com o anunciante, sem a interferência da agência de publicidade. Isso talvez seja uma falha das nossas agências”.

Júlio: “Essa observação sobre o relacionamento entre e o veículo resulta numa questão básica: na Campeireada da RBS, observamos que enquanto os colegas de Porto Alegre, do Paraná e de São Paulo discutiam em nível de marketing do cliente, em Santa Catarina ainda estamos discutindo se a conta é da televisão ou da agência. O relacionamento empresarial, como o Oswaldo colocou, depende da facilidade de relacionamento entre o diretor do órgão de divulgação e a agência. Além disso, o anunciante é um empresário, que precisa ver benefícios nesse processo, enquanto o nosso profissional não custa barato, porque é mão de obra especializada, rara aqui dentro do mercado. Mas muitas vezes ocorre que chega o anunciante como um amigo da gente e diz: ‘Olha, vai me desculpar, mas a situação é essa… E o que nós vamos fazer? ’ É verdade que a situação já melhorou, mas ainda falta chegar a um ponto ideal”.

Roberto: Acho que a colocação do Emílio de que ao avanço dos veículos de comunicação catarinenses não correspondeu uma evolução da agência de publicidade e do anunciante, tem seu fundamento um pouco prejudicado pela forma em que isso ocorreu. É bem verdade que 1979 é o ano-marco de todo o desenvolvimento dos negócios de comunicação em Santa Catarina. A entrada da TV Catarinense aqui tem muito a ver com isso, na medida em que pode representar um estágio mais avançado a forma de encarar esses negócios. Além disso, temos, hoje, duas estações de TV, dois jornais em off-set, as rádios tradicionais e, até o final do ano, deveremos ter cinco estações de televisão operando no Estado, mas um jornal em off-set em Joinville, ao lado do A Notícia e o boom das emissoras em FM aqui em Florianópolis, e depois em Joinville, Blumenau e outros locais do Estado. Mas, anteriormente havia duas emissoras de televisão colocadas em dois mercados distintos: uma na região da Grande Florianópolis e a outra na região de Blumenau, co brindo mais o interior do Estado. Essa situação provocou, ao invés de uma concorrência, uma delimitação de área de ação perfeitamente distinta. Uma mandava em Florianópolis e a outra no interior do Estado, o que levou os empresários desses veículos a encarar a questão da mesma forma: eles tinham um poder de decisão muito grande numa área e um amplo relacionamento com os empresários, que por sua vez participaram da criação dessa televisão, anunciando e eram acionistas. Esse processo afastou um pouco as agências de propaganda que, por questões geográficas e características do Estado, têm hoje pólos de desenvolvimento distintos e fragmentados. Temos seis áreas de desenvolvimento e oito pólos naturais, que são as chamadas ilhas. Assim, fica muito difícil para o empresário de propaganda, mesmo em Florianópolis, abranger um mercado num raio maior ou menor do que 200 quilômetros da Capital, o que deixa a agência de propaganda vulnerável em relação à presença efetiva desses mercados. Acredito que é difícil para uma agência de propaganda sobreviver dentro de mercados restritos como integrante de um desenvolvimento, mais amplo, semelhante ao desempenho econômico do Estado. Somos a sétima arrecadação de ICM, a sexta arrecadação de Imposto de Renda e temos 37% do mercado de motores elétricos do país, 35% de motores do mercado e compressores de ar, 38% do mercado de azulejos e 75% da produção de carvão”.

Nelson, Cabreira, Moacir, Antônio, Júlio, Antunes, Cassol, Cao, Em?lio

Na próxima semana segue o debate com a intervenção de Emílio Cerri, Roberto Costa, Antonio Koerich e Nelson Sirotsky.