TV Catarina apresenta Maurício Sirotsky Sobrinho – 8

Publicado em: 19/04/2009

As questões de mercado apresentadas nesta série de depoimentos de publicitários, anunciantes e veículos de comunicação pode parecer ao leitor de hoje algo ultrapassado. Mero engano.
Engano por duas razões: primeiro, porque o nível do debate pode ser considerado “bastante civilizado” para a época, uma vez que as divergências entre os três pontos do tripé eram muitas e arraigadas; e segundo, que essas questões, embora mascaradas por um diálogo mais equilibrado, ainda continuam ferindo fortemente o equilíbrio entre os interesses de anunciantes, publicitários e meios de comunicação nos dias de hoje.

É importante notar – e até repetindo o que já foi dito – que este foi o primeiro momento proporcionado por um veículo de comunicação com o objetivo de propor um modus vivendi em níveis compatíveis com a relevância de um mercado que movimenta milhões de reais e figura na lista de um dos maiores custos entre os insumos e serviços que vão da produção ao consumo.

Na sequência falam Osmar Laischwitz, diretor da Scriba-Studio Assessoria e Propaganda, de Blumenau e os já apresentados Júlio Pacheco, Oswaldo Moritz e Roberto Costa.

Osmar Laichwitz, diretor da Scriba Studio, Blumenau

Osmar Laschwitz, diretor da Scriba Studio, Blumenau

Osmar: Aqui em Santa Catarina existe, também, em termos de agência, o que poderíamos chamar de um banditismo comercial, decorrente da própria estrutura das agências. O anunciante reclama da prestação de serviços, e com toda a razão (não estou defendendo a ABAP, absolutamente), porque aqui se formaram várias agências de corretagem, não de propaganda. Hoje o mercado está bastante melhorado, o que se percebe pela reunião dessas agências que aqui estão. Assim, o problema de estrutura é o ponto básico para que haja esta convivência pacífica do trinômio comerciantes, agências e veículos. Outros aspecto a considerar é que as agências se estruturaram através de um trabalho paulatino. Porque duvido que alguma agência de Santa Catarina tenhas sido montada com algum capital.

Diretor da Gran Meta

Diretor da Gran Meta

Júlio: Um aparte a estas tuas colocações. Falando no meu caso especificamente, nós instalamos estúdio de gravação e, depois, com o advento da televisão, tentamos fazer filme aqui, o que é difícil. Chegamos até a fazer alguma coisa em filmes coloridos. Vimos onde poderíamos ir em termos de investimentos, e depois, com a necessidade de especialização, partimos para um trabalho com produtores.

Osmar: O Júlio ponderou acertadamente. Quando chegarmos a um nível em que pudermos em planejamento, em mídia, em check-up de mídia e em todos aqueles detalhes existentes em propaganda, e levarmos isso ao anunciante, mostraremos a ele que realmente podemos prestar àquele serviço algo mais. A própria sofisticação do veículo, a diversificação da mídia, vão levar à profissionalização do próprio anunciante. Mas, tudo isso é uma evolução, que estamos acompanhando. Nos últimos anos, com todos os percalços que o Roberto falou, a presença das agências fantasmas dentro dos próprios veículos nos cerceando, nos criando problemas, mesmo assim o mercado teve um crescimento, sobreviveu honrosamente.

Oswaldo: Até bem pouco tempo, as agências de propaganda estavam mais interessadas em pegar contas do governo do que das empresas.

Roberto: Essa colocação do Oswaldo pode receber duas observações. Em primeiro lugar, no global de anunciantes de Santa Catarina, o governo é efetivamente uma grande força, tem seu grande peso. Em função disso, evidentemente, as agências também trabalham para atender ao governo. Mas eu queria salientar que, no caso da A.S. Propague, no momento em que ela conseguiu se desprender da dependência do governo ela realmente começou a respirar aliviada. Não é fácil, em Florianópolis, uma agência de propaganda sobreviver sem ter uma conta substancial na área de governo. Mesmo assim, existem atualmente condições, fora do mercado de governo, e isso a nossa sobrevivência comprova de a agência se desenvolver.

Na próxima semana, três novos personagens entram em cena: Adroaldo Cassol, diretor da Madeireira Cassol S.A. e presidente do CDL de Florianópolis; Antônio Cabreira, gerente executivo de Comunicação da RBS; e Moacir Pereira, diretor do Curso de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina e editor-assistente do Jornal A Semana.

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