TV Catarina apresenta Maurício Sirotsky Sobrinho – 9

Publicado em: 26/04/2009

Três novos personagens entram em cena: Adroaldo Cassol, diretor da Madeireira Cassol S.A. e presidente da CDL de Florianópolis; Antônio Cabreira, gerente executivo de Comunicação da RBS; e Moacir Pereira, diretor do Curso de Comunicação da UFSC e editor-assistente do Jornal A Semana.

Sob a perspectiva desses três novos ângulos de análise da comunicação mercadológica, percebe-se que as dúvidas e incertezas manifestados pelos publicitários e pelos anunciantes de varejo também atingem os campos acadêmico e dos veículos de comunicação. A palavra de Adroaldo Cassol, à semelhança de Antônio Koerich, como se viu anteriormente, reflete a dúvida do empresário sobre a capacidade de atendimento das agências de propaganda.

Presidente da CDL Florianópolis

Presidente da CDL Florianópolis

Cassol: Realmente, quando o lojista contrata uma agência, encontra dificuldades se não é uma grande empresa. Porque a agência – se me perdoam os companheiros aqui – em se tratando de uma conta pequena, não dá o atendimento que daria se fosse uma conta maior ou do governo. De forma que, atendendo a novas emissoras, e em especial à RBS, teremos uma publicidade mais perfeita e, conseqüentemente, nossos custos serão mais elevados, o que nos obrigará a veicular diretamente as nossas propagandas, porque elas deverão ser aprimoradas.

Ger. Comunicação RBS

Ger. Comunicação RBS

Segue-se a intervenção de Antônio Cabreira que, evitando o confronto direto entre anunciantes e agências, abre outra perspectiva de discussão, dirigindo-se a Moacir Pereira.
Cabreira: A propósito do aprimoramento das peças de comunicação dos anunciantes, qual é a posição da Faculdade de Comunicação na formação da mão-de-obra especializada para o mercado, bem como a possibilidade de aproveitamento deses recursos humanos?

Moacir: Nessa primeira fase do Curso de Comunicação, estamos ainda na terceira semana das aulas e, portanto, ainda é um pouco cedo para fazermos uma avaliação adequada. Mesmo assim, considero que a Universidade não abriu o Curso de Comunicação oferecendo em primeiro lugar a habilitação em Relações Públicas porque ela vê nessa área um mercado ainda restrito em Santa Catarina, para não dizer praticamente inexistente.

Dir. Curso de Comunicasção UFSC

Dir. Curso de Comunicasção UFSC

A Universidade também não ofereceu a especialização em Propaganda porque, em um levantamento que se fez – embora sem ter uma caráter muito científico – sobre o mercado de trabalho e suas necessidades, constatou-se que a propaganda, por enquanto, não representa grandes potencialidades. Mas ela apostou na abertura política e identificou, na área de telejornalismo, grandes possibilidades de absorção dos profissionais que serão diplomados pela Universidade. Além disso, verifica-se atualmente a expansão da televisão em Santa Catarina, com a instalação de novos canais, e também do jornalismo gráfico, com o surgimento de novos periódicos. Acho que o fato de a Universidade criar uma habilitação em jornalismo e com um curriculum voltado para o telejornalismo e jornalismo gráfico, muito mais que para a propaganda e relações públicas ou radiojornalismo, é uma confirmação  da análise de que os veículos estão evoluindo. E na área de propaganda, houve realmente uma arrancada inicial, mas, depois, estacionou.

Roberto: Acho que isso é natural. Primeiro a evolução do veículo e, depois, das agências.

Emílio: Desculpe Roberto, mas não concordo, porque se não tivéssemos veículos de comunicação adequados, de que adiantaria fazermos grandes comerciais, termos grandes idéias? Para veicularmos aonde, em que condições? Em primeiro lugar, os veículos de comunicação precisam estar mais evoluídos, para que as agências que têm aquelas condições econômicas lembradas pelo Osmar e pelo Júlio, possam colocar idéias em prática. O Júlio mesmo teve essa experiência. Hoje ele não tem mais um setor específico de gravações de filmes e não desenvolveu a sua área de gravação de rádio porque sentiu falta de condições nos veículos existentes, para sua expansão. E aí vem minha colocação: a partir do desenvolvimento dos veículos de comunicação, nós poderemos nos desenvolver. Em países onde a televisão, por exemplo, é um veículo estatal, as agências não teriam evoluído. Gostaria que ficasse bem claro que nós somos prestadores de serviços aos anunciantes, e não aos veículos. Então, parece-me que a nossa aproximação com o anunciante ainda tem pedras no caminho. Ou o anunciante não sabe o que nós podemos fazer por ele a preços razoáveis, compatíveis com o seu volume de negócios, ou não teremos a capacidade de, como anunciantes que somos, dizer a eles o que somos capazes de fazer dentro das possibilidades de empresa, do lucro, dos resultados que ele prevê.

Na próxima edição retornaremos ao depoimento do jornalista Moacir Pereira seguido da intervenção do empresário da indústria naval Noemi dos Santos Cruz, presidente da Associação Comercial de Itajaí e diretor da EBRASA.

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