TV Catarina apresenta Maurício Sirotsky Sobrinho – Final

Publicado em: 15/06/2009

Cao Hering estréia na parte final dos debates da Mesa Redonda “O Mercado de Santa Catarina a Espera de uma Afirmação”, promovido pela RBS/SC em abril de 1979. Profissional de criação inicia levantando questão chave no relacionamento cliente-agência: o geral desconhecimento do cliente em relação à peça publicitária.

Carlos Hering, Dir. Criação da Scriba Studio

Carlos Hering, Dir. Criação da Scriba Studio

Cao: Gostaria de levantar rapidamente um problema que ocorre aqui, já que estou muito ligado à criação nas agências. Toda a vez que vou tratar com empresário sempre tenho a impressão que ele entende muito pouco de peça publicitária em si, de sua deficiência ou não. Ele quer simplesmente se garantir, não discute se a agência oferece isto ou aquilo, melhores vantagens, assistência. Ele trata o problema à base do “chumbo grosso”.  Ele simplesmente entrega a conta para uma grande empresa de São Paulo, se em verba, ou então, se é pequeno empresário, sente ainda mais segurança no veículo. Talvez vocês me rebatam em minha opinião. Mas, sempre tenho a sensação de que as peças publicitárias, em si, não fazem parte do universo do empresário.

Cassol: Parece-me que a mercadoria da agência é a veiculação. Conseqüentemente, achamos que a agência deve restringir os seus custos na hora da criação, da arte final, ao mínimo possível, para dar condições às empresas pequenas e médias de terem acesso um veículo caro, que é a televisão. Diminuindo os custos na arte final vamos dar condições também ao pequeno anunciante. Como presidente do CDL queria agradecer pela oportunidade de participar desta reunião, que no serviu de subsídios porque nós, individualmente, entendemos pouco de publicidade.

Roberto: Para mim não foi nenhuma surpresa a iniciativa da RBS de colocar juntas, na mesma mesa, algumas das lideranças mais significativas das áreas de agências de propaganda, anunciantes, governo e a RBS, como veículo. Era o mínimo que eu esperava da RBS, uma empresa que tem o melhor conceito possível, para nossa agência e para mim, de desenvolvimento profissional. E acho que o mais importante, aqui, foi termos começado esse diálogo, que deverá ser ampliado por iniciativa das agências de propaganda e empresários. Acredito que será um negócio vantajoso para todos: para as agências e empresários, que serão mais bem assessorados, e para os veículos de comunicação, que serão, sem dúvida, os grandes beneficiados nessa maior profissionalização da propaganda em Santa Catarina. Isso não se restringe à Florianópolis e à A.S. Propague. Nós estamos à disposição dos anunciantes e de todos os veículos para levar essa catequese às principais cidades do Estado, e debater amplamente nossa problemática. Estamos num ano importantíssimo, o ano da revolução dos meios de comunicação e de propaganda em Santa Catarina.

Emílio: Além de agradecer, gostaria de responder às duas questões que ficaram pendentes. Primeiro em relação ao que disse o Cassol de que a mercadoria da agência é a veiculação. Acho que a mercadoria da agência é a consultoria. A veiculação pode até não ocorrer num trabalho de prestação de serviços para um anunciante, pode nem existir. Podemos até encontrar outra solução, porque o nosso trabalho é de consultoria do anunciante, em termos de comunicação com o seu mercado. Não importa como. Isso o especialista da agência irá propor para o anunciante, como um médico que eu acho que ele deve ser. E ele deve ser encaro pelo anunciante não como um intermediário entre ele e o veículo, mas como uma extensão da empresa dele, que está buscando resultados para ele. Outro aspecto, em relação ao que disse o Killian, é que a propaganda é realmente custo de comercialização, de marketing, Ele disse uma coisa que eu não sei se chegou a ser percebida por todos: que o custo da idéia da agência é caro. Não existe custo na agência. Esse problema do tabu do custo está explicadinho no texto da Lei. Acho que precisamos, realmente, debater mais o que está escrito, desde 1965. Eu gostaria, agora, falando pela Associação Catarinense de Propaganda, de participar, também, dessa luta de todo o mundo. Fazer exatamente mais vezes o que a gente está fazendo. Realmente, como o Júlio falou muito bem, é a primeira vez que isso ocorre, a esse nível. Há pouco tempo vi que o pessoal de Joinville tinha algum interesse, nesse sentido. E sei que Blumenau deve ser a mesma coisa.

Killian: Agradeço ao convite da TV Catarinense, e colo à disposição a próxima reunião nossa, será em Lages, em junho, para que junt0o com a Associação de Propaganda possamos vender a imagem para nós, empresários, e tirar aquela idéia de que propaganda é um mal necessário. E complementando, quando falei em custo, explico que a nossa propaganda é quase diária. Daí a nossa preocupação com custo de criação e produção da campanha, o que praticamente encarece para nós. Proporcionalmente, a veiculação em qualquer órgão é mais barata que a produção.

Osmar: Também queria sugerir a idéia de levarmos adiante reuniões como esta e que essa ligação agência-veículo-anunciante seja estimulada no interior. Temos aqui representantes de vários clubes de serviço. É preciso que isso não pare, mesmo, e que essa idéia seja encampada por vocês, com a participação das agências, que não teriam condições de promover esse tipo de reunião sozinha. É preciso que alguém tome a iniciativa, e nada melhor que vocês, que têm interesse nesse mercado, e que estão começando a fazer isso que nós queríamos que fizessem. Depois disso, que se traga agência de Florianópolis e que junto com a Associação Comercial, partamos inclusive para o grupo de empresários, a através da demonstração de filmes premiados. É necessário fazer isso para maior motivação.

Cabreira: Então vou convidar o Nelson Sirotsky para fazer o encerramento de nossa mesa-redonda.

Nelson: Em primeiro lugar, evidentemente tenho que agradecer a presença de todos. Para nós, a Rede Brasil Sul, foi extremamente gratificante começar uma operação em Santa Catarina convivendo com vocês nestas duas, três horas. A RBS está investindo em Santa Catarina, nesta primeira etapa de trabalho, aproximadamente cinco milhões de dólares, um número significativo se olharmos em termos absolutos. Estamos montando um prédio com mais de dois mil metros quadrados, equipamentos de última geração de tecnologia, e formando mão-de-obra catarinense. Temos pessoas treinando conosco há quase um ano, pessoas aqui do Estado. Estamos procurando desenvolver, no interior de Santa Catarina, um trabalho de cobertura efetiva de televisão catarinense. Mas tudo isso se sobrepõe a uma idéia da Rede Brasil Sul, de acreditar no estado de Santa Catarina. Entendemos que a nossa missão, acima eventualmente de auferir alguns lucros com a operação da TV Catarinense que, enfim, é o objetivo final de qualquer negócio, é de participar desse mercado. E de participar com iniciativas como essa, despretensiosas, informais. Levar o trabalho para o interior, abrir novos campos, porque com isso pretendemos fortalecer o mercado e o estado de Santa Catarina. Evidentemente só poderemos fazer isso com a colaboração e com o apoio de todos os senhores. Estamos aqui, nos propondo, a qualquer momento, a convocar, para uma reunião, talvez em maio ou junho, para discutirmos novos assuntos. A área de criação, por exemplo, não foi debatida. No Rio Grande do Sul nós fazemos reuniões com o grupo de criadores de propaganda, com mídias de agências, com pessoal de atendimento, com outros veículos, com anunciantes diretos, com anunciantes através de agências, única e exclusivamente com o objetivo de fortalecer o mercado. Alguém falou aqui que foi dado um primeiro passo nessa mesa redonda. Foi dado um passo muito pequeno diante da grandeza do trabalho que nós precisamos realizar. E tenham certeza que a TV Catarinense e a RBS estão de portas abertas, para que possamos juntos, desenvolver nosso trabalho da melhor maneira, com o objetivo de promover o estado de Santa Catarina.

Mercado de Santa Catarina a Espera de uma Afirmação

Mercado de Santa Catarina a Espera de uma Afirmação

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