TV Cultura comemora 50 anos de transmissão em Santa Catarina

Publicado em: 02/06/2020

O dia 31 de maio assinala um marco na história da comunicação em Santa Catarina.  Era inaugurada oficialmente a TV Cultura, canal 6, a primeira emissora de televisão de Florianópolis.

TV Cultura – Foto: Reprodução/Arquivo/ND

Antes disso, em 1965, Hilário Silvestre, um vitorioso empresário de Tubarão, montava equipamentos no antigo prédio da rua Felipe Schmidt, esquina com a rua Trajano, com antena no telhado do Lux Hotel, no outro lado da principal rua da capital.  A emissora funcionou durante alguns meses, mesmo sem ter concessão oficial do Dentel.  Um violento vento sul derrubou a antena, encerrando as atividades.

Ficou na população da Grande Florianópolis o vácuo da comunicação eletrônica moderna.   E as imagens com chuvisco das repetidoras da TV Piratini e da TV Gaúcha, ambas de Porto Alegre.

E um sentimento de frustração, pois em 1969 tinha sido inaugurada a TV-Coligadas, de Blumenau, do mesmo grupo que criou o Jornal de Santa Catarina, o primeiro impresso em off set do Estado.

A instalação da TV Cultura foi obra do empresário Darci Lopes, um comerciante de auto peças da Felipe Schmidt, que liderou durante anos o movimento que resultou na Sociedade Pró Desenvolvimento da Televisão, responsável por todo o complicado sistema de antenas repetidoras, desde Porto Alegre até Florianópolis. As antenas ficavam no alto dos morros e montanhas no trajeto litorâneo dos dois Estados, todas com difícil acesso e, com frequência, com problemas de falta de energia, falha de equipamentos.

A Sociedade foi a semente que resultou na TV Cultura.  Darci Lopes comandou todo o processo.  Formou uma empresa com cotistas e participou da concorrência, apoiado pela Rede Tupi, poderosa empresa do grupo Associado, e enfrentou poderosos grupos políticos e econômicos.

Veja o documentário “A CHEGADA DA TELEVISÃO EM SANTA CATARINA E A HISTÓRIA DA RÁDIO E TV CULTURA CANAL 6 DE FLORIANÓPOLIS”, de Vitor Gnecco, produzido como trabalho de Conclusão de Curso da Unisul, em novembro de 2013.

Diretoria
Integraram a primeira Diretoria da TV Cultura Darci Lopes (presidente), Lauro Caldeira de Andrade (diretor artístico), Leon Schmigelow (diretor técnico), Frederico Buendgens (diretor administrativo), Ody Varella (diretor comercial e Arno Schmidt (diretor financeiro).  Integrava, ainda o grupo o contador Francisco Zanon (contabilidade).

Na área operacional destaques para Dirceu Flores (diretor de TV), Roberto Alves (jornalismo), Hélio Kersten (comercial), João Décio Machado Pacheco (produção), Gilberto Rosa (contato), Anibal Brognoli (expansão), Evilásio Schmitz (laboratório técnico), Antunes Severo (agente free lancer), Altair Teixeira da Rosa (tráfego), Oswaldo Bittencourt (faturamento), Dilma Alves (pessoal), Adilcéia Ferrari (secretária), Regna Lopes (recepção), Dilnei Souza (roteirista), Amauri Caldeira de Andrade (artes), Evaldo Bento (locutor).

No grupo de jornalistas, apresentadores e comentaristas: Fenelon Damiani, Moacir Pereira, Roberto Alves, Fernando Linhares da Silva, Darci Costa, Cyro Barreto, Lázaro Bartolomeu, Celso Pamplona, Lucilia Raissa, Zury Machado, Walter Souza, Marisa Ramos, Yara Pedrosa, Sérgio Lopes, Mauro Amorim.

Darci Lopes teve a sensibilidade e a visão de futuro de adotar duas diretrizes:
1.Contratou exclusivamente os profissionais de imprensa da casa, todos oriundos das emissoras de rádio locais;
2. Executou o slogan”Trazendo gente mais perto da gente”, determinando cobertura de tudo o que acontecesse na Grande Florianópolis,  “de casamento a festas comunitárias”.

O resultado desta orientação refletiu-se na audiência.  Durante nove anos, a TV Cultura liderou o Ibope na Grande Florianópolis, batendo a TV Coligadas, que transmitia a programação da Rede Globo, caso inédito no Brasil.  A má qualidade das imagens da Coligadas também ajudou a manter esta liderança.

Com a chegada da TV Catarinense, também no mês de maio, em 1979 produziu fatos novos.  Primeiro, a emissora instalada por Mauricio Sirotski, com o comando do filho Nelson, assumiu a liderança do Ibope, com novos equipamentos, uma jovem equipe de jornalistas e inovações na programação local da Globo.   Segundo, a TV Cultura acabou atingida pela quebradeira da Rede Tupi em todo o Brasil, perdendo qualidade na programação, audiência e anunciantes.

A consequência viria logo depois:  Flávio Coelho e Mário Petrelli, os donos da TV-Coligadas, perdendo a programação da Globo para a TV Catarinense, não tiveram outra opção: compraram a TV Cultura e a TV Coligadas passou a transmitir a programação da TV Tupi.

Por, Moacir Pereira – Ex-presidente da Associação Catarinense de Imprensa (ACI) – Casa do Jornalista

(ACI, 01/06/2020)

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