Um Astor Piazzolla para colecionadores de raridades

Publicado em: 05/03/2012

Astor Piazzolla

Nós brasileiros e o tango temos uma série de afinidades que só mais recentemente estão vindo à tona. Temos, inclusive, autores de trabalhos de pesquisa que mostram esse relacionamento. É o caso, por exemplo de Agilmar Machado autor de O Tango no Brasil, um artigo já publicado e traduzido para vários idiomas. Aliás, foi na recente entrevista que fiz com Agilmar que o tema voltou à tona e, então, lembrei de um documentário produzido e apresentado por Paulo Cesar Andrade na Rádio MEC do Rio de Janeiro. Nessa audição Paulo Cesar vai buscar um Piazzolla muito pouco conhecido entre nós: o músico que na década de 1940 – ele nasceu em 11 de março de 1921 – era o bandoneonista e maestro da Orquesta de Astor Piazzolla. No podcast você pode ouvir 55 minutos com os tangos mais famosos da primeira metade do século XX. Essa é a segunda parte do documentário produzido por Paulo Cesar de Andrade e transmitido pela Rádio MEC em janeiro de 2012.

1 responder
  1. Agilmar says:

    Gostei desse desfile de tangos apresentado por Paulo César, na Rádio MEC. Enxuto, o programa trás as informações básicas dos temas, o que já é o suficiente para os que desejam conhecer (ou recordar) o enebriante rítmo platense. Isso me transportou à década de 50 quando, na Rádio Tamoyo, Colid Filho apresentava, da coleção imensa de tangos de Samuel Rosemberg, “TANGOS EM DESFILE”. Nos intervalos, aquele excelente apresentador usava de um expediente muito em voga na época: poemas. Na maioria eram de aujtoria de J.G. de Araújo Jorge, que os escreveu “por atacado”! Curiosidade: depois que Colid Filho deixou o programa, o mesmo pasou a ser apresentado pelo locutor OSVALDO RUBIN, que chegou a trabalhar e residir em Florianópolis por vários anos.
    Belo tango é o prefixo/sifisxo do programa da Rádio MEC. Trata-se do tango “Saludos”, uma composição do maestro, autor e compositor, Domingo Federico e seu irmão Francisco. Na época em que foi composto, sua estréia foi com a orquestra de Miguel Caló, em 1943, quando o próprio Domingo Federico dela fazia parte, como bandoneonista. A orquestra de Caló foi imbatível nessa época, pois reunia astros de primeira grandeza no cenário do tango: Domingo Federico e Armando Pontier (bandoneonistas). Como administrar tanto talento, de igual a igual entre dois astros maiores no mesmo instrumento? Assim, primeiro saiu Pontier, que formou seu próprio grupo. Em 1944, o próprio Federico também se afastava, formando sua prória orquestra. Osmar Maderna, jovem, de 33 anos, que faleceu em 1951, em um estranho acideente com seu próprio avião, era algo de fantástico ao piano, e, para completar, o músico que encarnou seu instrumento dentro da própria alma Enrique Mario Francini. “Saludos”, com todos esses astros ainda na ativa com Caló, foi o segundo tango que se conheceu que iniciava ao som de violino. O primeiro fora do mestro Franncisco Canaro, “Poema”. O próprio autor, em 1944, gravaria também “Saludos”, porém, dando ênfase ao bandoneón e sem dois fatores fundamentais que Caló adotou: o violino de Francini e o arranjo e execução do piano de Maderna. Inimitável… se não houvesse a gravação anterior de Miguel Caló. O disco de Caló 78rpm tinha, na face “B”, o tango “Domingo a la noche”.Mais tarde Caló conseguiu renunir novamente esses grandes valores do tango com o slogan “Orquesta de las estrellas”, porém, faltava o grande arranjador e astro maior do piano, Osmar Maderna, cuja obsessão por altura o levava a compor temas como “Llúvia de estrellas” (extraordiário!), a valsa “Bajo el cielo de estrellas” e outra valsa que fez com o apelido de sua querida esposa, “Pequeña”… No dia fatídico, Maderna e outro amigo que possuia igual equipamento, resolveram fazer um vôo a dois, para “se filmarem”, com os aviões trocados. Na expectativa de uma boa foto, os dois se chocaram no ar e a história do tango se cobriu de luto…

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