Um certo subtenente Felisberto Demaria

Publicado em: 11/06/2014

Como no romance de Érico Veríssimo, meu personagem tem lastro e estofo para merecer essa referência; a diferença é que meu personagem é real.

Uma das bandas mais conceituadas da história musical de Florianópolis é a Sociedade Musical Amor à Arte, fundada em 1897. Na década de 1930, Demaria integrou essa banda e também a banda da Policia Militar tocando clarinete e flauta e onde permaneceu até 1953 quando se aposentou. Na foto, Demaria aparece ao centro, na segunda fileira exatamente atrás do personagem de roupa clara.

Uma das bandas mais conceituadas da história musical de Florianópolis é a Sociedade Musical Amor à Arte, fundada em 1897. Na década de 1930, Demaria integrou essa banda e também a banda da Policia Militar tocando clarinete e flauta e onde permaneceu até 1953 quando se aposentou. Na foto, Demaria aparece ao centro, na segunda fileira, atrás do personagem de roupa clara.

Felisberto Demaria.

Felisberto Demaria.

Carne, osso, alma, coração e vida. E uma história rica de bons exemplos, de trabalho distinguido pela qualidade e pela arte. Durou pouco, mas grande é o seu legado. Seus familiares, amigos e colegas que o conheceram pranteiam sua memória. Os mais jovens que conhecem sua história, ou parte dela, se identificam com a singeleza de sua vida e a ternura de sua arte.

Músico desde o nascimento, Felisberto Demaria ou simplesmente Demaria como ficou conhecido, foi músico versátil tocando com maestria os mais variados instrumentos de cordas: bandolim, cavaquinho, violão, nos seus diversos formatos e contrabaixo. Este sim, o contrabaixo, sua grande paixão.

 

Demaria no contrabaixo, acompanhando o acordeonista Mario Zan, juntamente com Aldo Gonzaga, ao piano e Tida na bateria na Boate Plaza.

Demaria no contrabaixo, acompanhando o acordeonista Mario Zan, o pianista Aldo Gonzaga e o baterista Tida, na Boate Plaza.

Mas, a versatilidade do músico profissional ia mais longe. Como integrante da Banda da Polícia Militar de Santa Catarina, Demaria tocava clarinete e flauta.

Conheci o Demaria no palco auditório da Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, em 1956, semi-sumido atrás de um contrabaixo que quase chegava no teto do palco. Ele integrava o Conjunto Musical RDM formado, além dele, pelo pianista Aldo Gonzaga, violonista Zequinha, guitarrista Lúcio Cabral e o bateria Dino Souza.

Amizade e companheirismo eram comportamentos muito valorizados e bem vividos pelo diversificado elenco da emissora e também nesse item Demaria pontificava pela simplicidade e alegria. Estava sempre de bem com o mundo.

Falando em Demaria, tive a oportunidade de conhecer recentemente Marlene Demaria, primeira de oito filhos e que o acompanhou porque também gosta de música e hoje é a responsável pela preservação do acervo do pai.

Nosso encontro rendeu a recuperação de uma série de fotos, que com o podcast deste post, contam um pouco mais sobre a história de Felisberto Demaria, militar por profissão, músico por gosto e devoção.

Marlene Demaria

A entrevistada Marlene Demaria

Marlene, como primeira filha, assumiu o compromisso e conserva o que tem conseguido reunir sobre a vida profissional do pai.

Além das fotos cedidas para o Caros Ouvintes e da entrevista que hoje publicamos, já aceitou o convite para uma nova roda de relembranças do período que vai de 1953 a 1969 quando Felisberto Demaria faleceu.

 

 

Demaria também criou seu próprio Conjunto Regional, aqui em apresentação na Sociedade Rádio Guarujá, em 1945: Lira (violão), Cidinho (cavaquinho), Aldo Gonzaga (acordeom), Você conhece? (clarinete) e João (violão).

Demaria também criou seu próprio Conjunto Regional, aqui em apresentação na Sociedade Rádio Guarujá, em 1945: Lira (violão), Cidinho (cavaquinho), Aldo Gonzaga (acordeom), Você conhece? (clarinete) e João (violão).

 

Pioneiro e exímio executante de instrumentos de sopro e cordas, Demaria integrou várias orquestras em sua vida profissional. Aqui ele aparece ao fundo (contrabaixo) tendo ao lado direito Você conhece? (bateria), Pinheiro (pandeiro); na fileira do meio Hugo Freisleben (piano), Fonseca (pistom), Onofre (pistom), Nelson (trombone), Paulo Dutra (sax), Nabor Ferreira (sax), Orlando Dutra (violão) e Narciso Lima (voz).

Pioneiro e exímio executante de instrumentos de sopro e cordas, Demaria integrou várias orquestras em sua vida profissional. Aqui ele aparece ao fundo (contrabaixo) tendo ao lado direito Você conhece? (bateria), Pinheiro (pandeiro); na fileira do meio Hugo Freisleben (piano), Fonseca (pistom), Onofre (pistom), Nelson (trombone), Paulo Dutra (sax), Nabor Ferreira (sax), Orlando Dutra (violão) e Narciso Lima (voz).

4 respostas
  1. Rosana Rosa Pereira says:

    Caros Ouvintes,
    Quero parabenizar e agradecer ao Sr. Antunes Severo pela matéria em homenagem ao meu Avô Felisberto Demaria com quem tive o privilégio de conviver até os meus 13 anos de idade e do qual tenho muito orgulho e admiracao.
    Rosana

  2. juracyara says:

    Sou neta de Narciso Lima, um dos companheiros musical de Demaria, meu avô morreu eu tinha apenas sete anos, e só agora estou sabendo da importancia dele no cenario musical de Florianopolis.Gostaria muito de resgatar a tragetoria dele , pois infelizmente não tenho nada sobre sua vida.
    Estou muito feliz, pois em dois dias descobri a importancia dele e como é citado em varias reportagens sobre a musica dos anos 50/60.
    Se possivel e se tiver alguma informação, pediria a Dona Marlene Demaria para me enviar.

    Obrigada

  3. Antunes Severo says:

    Bom dia, Juracyara.
    Bem-vinda ao Instituto Caros Ouvintes.
    Temos interesse em conhece-la e entrevista-la.
    Entraremos em contato pelo seu e-mail.

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *