Um certo vozeirão chamado Cyro Barreto – Final

Publicado em: 09/06/2012

Cyro Barreto *

Anos mais tarde também participaram com seus talentos Salomão Ribas Jr. (que logo em seguida foi para o Rio de Janeiro trabalhar na Rádio Nacional), Walter Souza,  Fenelon Damiani, Moacir Pereira,   além de Roberto Alves  que se destacou na  transmissão dos eventos desportivos.cAs transmissões ao vivo não se restringiram apenas aos estádios. Diretamente dos badalados points da vida noturna da época, programas foram realizados com sucesso absoluto. Para lembrar: Sabinos Bar ( na cobertura do Edifício IPASE, na Praça Pereira e Oliveira), Samburá na Praça Quinze de Novembro, Restaurante Rancho da Ilha de Dom Marino e das boites dos hotéis Lux , Oscar Palace e Royal. Menção também, as pesquisas de opinião pública que envolviam personalidades conhecidas do mundo político-econômico e social. Programas de músicas clássicas e populares, de poesias, de notícias e reportagens alcançaram os mais expressivos índices de audiência, superando a concorrência das emissoras locais.

Os programas políticos e as entrevistas estavam a cargo de Hélio Kersten Silva , Tupy e Jaison Barreto, Hélio B. dos Santos, Volney Colaço de Oliveira, Cesar Athaualpa Machado e Osmar Cook, todos “experts” no  jornalismo e na política catarinenses.

Um aspecto que não pode ser esquecido na trajetória da Rádio Anita é o lado comercial. Apesar de ser uma emissora de porte pequeno com relativo alcance de suas ondas médias, jamais faltaram patrocinadores para os seus programas. E, é importante frisar que não  apenas o comércio local, como empresas nacionais colaboraram para o sucesso da programação. Por exemplo: Lojas Renner, Casas Pernambucanas, TAC- Transporte Aéreo Catarinense, Cruzeiro do Sul, VARIG, Lojas Alfred, Estabelecimentos A Modelar, Organizações Koerich, Loja A Samaritana,  Sedutora Calçados, Loja Kotzias, e tantas outras.

“O coração palpita quando se ouve Anita” era um dos slogans da estação assim como o outro em alto e bom som “Uma das emissoras da Organização J.J. Barreto”. Na realidade era somente uma até formar cadeia com a única rádio de Camboriu de propriedade do ex-prefeito Francisco Barreto.

A Rádio Anita Garibaldi serviu de contraponto independente às Rádios Guarujá (PSD) e Diário da Manhã (UDN) defensoras ferrenhas de suas ideologias político-partidárias até 1965, ano em que assumiu a direção o lagunense Nelson Almeida, preposto do Grupo Hoepcke e da Rádio Guarujá.

Os sonhos de J.J. Barreto não se cristalizaram apenas na Rádio Anita, futuro embrião da Rádio e TV Cultura em 1970, mas também, na fundação do Jornal O Tempo, dos Sindicatos dos Radialistas, Jornalistas e na Casa do Jornalista – Associação Catarinense de Imprensa.

Seus ideais de liberdade de expressão e de inclusão social estão expressos na memória de milhares de pessoas de todos os quadrantes de SC e do país que dele receberam quer como comunicador, quer como médico humanitário, o lenitivo necessário à satisfação de uma convivência mais fraterna e saudável.

Na sua pessoa, as crianças de rua e os necessitados sempre encontraram um ombro amigo e um bolso generoso.

Hoje, na serenidade de seus 95 anos, ainda conserva o seu ar maroto e brincalhão, apesar das adversidades do tempo. //

Cyro Barreto nasceu em Laguna/SC, em 31 de janeiro de 1938. Jovem, radicou-se em Florianópolis onde constituiu família e dedicou-se ao jornalismo, ao Direito e ao Serviço Público. Mestre em Direito pela Universidade de Santa Catarina participou de cursos de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas/RJ e nas universidades de Washington, Harvard e Wisconsin, nos Estados Unidos  e no Instituto do Trabalho Livre, no México.

Por mais de quarenta anos exerceu cargos de chefia, assessoria e direção no Poder Público tendo chegado a assessor da Constituinte Estadual de 1989 e à presidência do Colegiado de Procuradores da Assembleia Legislativa, como Procurador Geral.

É um dos fundadores da Casa do Jornalista e em 1971 e 1994 elegeu-se presidente quando transformou a entidade em Associação Catarinense de Imprensa.  Posteriormente foi eleito presidente dos Sindicatos dos Radialistas e dos Jornalistas de Santa Catarina. Chegou à vice-presidência e à presidência da Federação Nacional das Associações de Imprensa de 1998 a 2001. Também participou da fundação e atuou na rádio Anita Garibaldi, TV Cultura e jornais O Tempo e Diário Catarinense (Diários Associados) de Florianópolis, e Gazeta de Joinville.

É o único catarinense a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Jornalismo e o primeiro condecorado com a Medalha do Mérito Jornalístico outorgada pela Ordem dos Jornalistas do Brasil.

Foi presidente executivo do VIII e XI Encontro Nacional de Associações de Imprensa, realizados em Florianópolis e Laguna/SC, em 1997 e 2001.

Foi editor na Rede Fronteira Sul de Comunicação para os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Atualmente é presidente do Conselho Superior da Associação Catarinense de Imprensa.

É autor da História da Associação Catarinense de Imprensa/Casa do Jornalista editada em 2009 pela ACI e Insular.

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