Um deus dormiu lá em casa está de volta

Publicado em: 03/03/2013

Foto: Iur Gomez / Grupo Dromedário Loquaz

A temporada que teve início em novembro de 2012 foi reiniciada neste final de semana e continuará em cartaz com apresentações nos dias oito, nove, 15 e 18 de março na Casa do Teatro Armação, na Praça XV, 344, Centro, Florianópolis. Montagem de dois dos grupos teatrais mais tradicionais da cidade – Grupo Armação e Grupo de Teatro O Dromedário Loquaz -, o texto marcou a história do teatro no Brasil. No final da década de 1940, alçou os protagonistas, Tônia Carrero e Paulo Autran, ao estrelato.

Na trama, o general Anfitrião resolve testar a fidelidade da esposa e, ao voltar da guerra, finge ser a encarnação de Júpiter. A mulher finge que acredita, mas, desde o começo, percebe a farsa, que gera confusões e situações engraçadas.

A montagem catarinense tem elenco formado por Chico De Nez, Jaime Baú, Regina Prates e Sulanger Bavaresco, diretora do grupo Dromedário. Sulanger ressalta que o Teatro da Armação foi adaptado pela produção da peça para parecer uma casa grega, o que fez com que alguns pontos fossem tomados pelo cenário. Com 36 lugares disponíveis para cada sessão, é importante reservar os ingressos com antecedência por telefone. (Com informações de Roberta Ávila/DC)

A arte do encontro, por Antônio Cunha

Dramaturgo, diretor e ator, atua nos dois grupos

A vida é arte do encontro, já dizia Vinicius de Moraes. E quando se trata do encontro de vidas provocado pela arte de fazer arte, então…

Com o Grupo Armação e o Grupo de Teatro O Dromedário Loquaz, de Florianópolis, este encontro tem resultado em instigantes parcerias. O Armação surge nos anos 1970 e se firma com características distintas do que já existia e do que viria. O Armação sempre foi um grupo de atores liderado por atores. Nunca se sustentou na figura de um diretor/encenador.

Já o Dromedário foi criado 20 anos depois do Armação, por iniciativa de um dos fundadores do primeiro, Ademir Rosa, e, sob a direção de Isnard Azevedo foi, antes de tudo, provocador, chacoalhando a cena catarinense com iniciativas que iam da montagem do primeiro Brecht ao uso de espaços cênicos inusitados.

O Dromedário, durante 10 anos, teve a cara de Isnard Azevedo. Mas, desde o seu surgimento, a circulação de atores e técnicos entre os dois grupos foi comum, chegando ao ponto de, nos últimos anos, com o Dromedário já sob a liderança de José Pio Borges, Sylvio Mantovani e Sulanger Bavaresco, começarem as parcerias, resultando em projetos como o Ato Contínuo na Casa do Teatro.

Para que este encontro se tornasse uma relação duradoura e profícua, foi necessário a compreensão de que cada um é cada um, que ninguém precisa deixar de ser o que é, e que as diferenças, quando compreendidas, se completam. A arte agradece.

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