Um dia com ele. É só um “toque”.

Publicado em: 29/05/2014

Vamos lá? Nenhum dia é como esse. Tudo parece comum, nada de novo debaixo do sol. Até que num belo dia (belo não), um dia, temos que encontrá-lo. Pode ser na casa dos 40, dizem que essa é a idade ideal. Depois de preparar a cabeça e tomar um bom banho saímos de casa. No caminho, seja de carro ou de ônibus, vamos sabendo que a volta será diferente. Não voltaremos exatamente iguais. Ao entrar na clínica nos dirigimos à moça da recepção que nos dá um simpático bom dia. Então a fala mais difícil:

– Tenho uma consulta com o urologista – A moça confere nosso horário e aponta em direção à sala desconhecida. A porta, uma inscrição confirma que não é nem sonho nem pesadelo. Sentamos e observamos vários homens ansiosos e pensativos. Alguns tentam ler uma revista, outros esfregam as mãos. A cada vez que baixa a maçaneta e abre-se a porta sai um homem, rapidamente e de cabeça baixa. Não cumprimenta os que aguardam nem se despede. Finalmente uma voz diz nosso nome. A voz vem lá da estranha sala.

Ao entrarmos o doutor nos olha por cima dos óculos e estende a mão. Antes de apertá-la olhamos brevemente para seus dedos. A mão não parece maior do que a da maioria, isso parece ser bom. O médico muito educado pergunta qual o problema. Depois de nos ouvir ele segue seus procedimentos. O doutor diz com educação, mas as palavras são difíceis de assimilar. Ele levanta e nós nos encolhemos. Então a frase do médico:

– Baixe sua calça, a cueca também – Depois de nos levantarmos e cumprir a primeira orientação ainda ouvimos:

– Agora se deite, vire-se pra mim e relaxe – Essa última palavra é aterradora. Relaxar. O momento a seguir não deve ser descrito. Terminado o exame ouvimos algumas recomendações do bondoso médico. Ao abrir a porta percebemos os pacientes ainda ansiosos. Eles fingem que não nos veem saindo da sala. É como se fosse uma demonstração de solidariedade não encarar quem sai da sala. Tentamos caminhar de cabeça erguida, mas será que há motivos para isso? Ao voltar nos surpreendemos por ver que tudo continua igual, voltamos iguais, continuaremos sendo o mesmo homem que éramos há algumas horas, nada mudou. Voltamos sabendo que não foi um “bicho de sete cabeças” e que é essencial. Poder ao final do dia entrar no bar do bairro e dizer em voz alta: “hoje fui ao urologista e fiz o exame do toque” pode servir como desabafo, talvez consolo. Dizer aos amigos pode incentivá-los a não demorarem em sua visita ao especialista que pode fazer toda a diferença entre irmos “longe” ou não. Continuaremos sendo os mesmos homens. Teremos boa saúde. Obrigado por sua companhia.

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