Um jeito nobre de fazer política

Publicado em: 13/10/2012

Não é, com certeza, a idade do eleitor, atestado de bons antecedentes, nem quanto à velhice e tão pouco quanto à juventude. Mas, observo numa boa parcela de idosos saudosistas doces lembranças de um tempo em que o partido político soava como algo íntimo, pessoal, semelhante ao time do coração, coisa que acabou progressivamente desde a extinção dos velhos partidos em 1965. Hoje se negocia apoio entre as facções não por desejo programático e sim em troca de vantagens: secretarias, cargos, nomeações, loteamento do poder. Observo em boa parcela dos jovens elogiável interesse no conserto da coisa apodrecida da vida política de seus (nossos) municípios.

Olha só que coisa interessante: no tempo em que nem era uma democracia consolidada, pois ainda havia o voto de cabresto, como era chamado, as pessoas se posicionavam à direita, à esquerda e ao centro, num cenário ideológico claro e até brigavam por suas convicções. Feliz, ou infelizmente isso acabou. Felizmente porque gerava atritos, exageros, mortes. Infelizmente porque hoje os partidos são ônibus de aluguel para a viagem ao poder.

Mas, juntando as decisões do Supremo na questão do Mensalão com as parcelas positivas identificadas, já referidos, no eleitorado, parece que vamos devagar e progressivamente afastando as peças apodrecidas.

Os resultados de muitas urnas sinalizam isso. Onde lhe foi possível o povo fez a faxina. A faxina só não foi completa por pouco. Algumas câmaras legislativas foram oxigenadas. Algumas prefeituras tiveram renovação deixando pra trás o jeito triste de politicagem.

A imprensa tem um papel fundamental se puder livrar-se das tentações do apoio comprado. E o ouvinte/leitor/telespectador que, no fundo, é o mesmo eleitor, pode fazer a faxina de baixo para cima nos dois sentidos. Ele tanto pode vetar o veículo de comunicação adesista quanto vetar o candidato apodrecido. Tudo é conosco, a escolha é nossa. A nobreza e a baixeza. Basta escolher.

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