Um país na mira dos bandidos

Publicado em: 20/02/2013

Exposição na mídia dá status ao bandido que domina a quadrilha, e o faz crescer como líder, planejador e administrador de atos criminosos e isso aumenta seu poder de fogo

Já ouvimos muitas vezes autoridades da segurança pública, afirmando que o combate a criminalidade não pode ser tarefa somente da polícia e que o cidadão deve colaborar de alguma forma. O desarmado e assustado contribuinte, na verdade tem pouco a fazer para colaborar com a polícia. Quando muito tomar alguma precauções quando vai a um banco, entra no carro, sai do carro, entra em casa sai de casa etc. Pode também, evitar o namoro dentro do carro, prática que está sendo combatida em Brasília como se o cidadão fosse a causa da violência ao ficar parado namorando e a disposição dos marginais.

A policia deveria proteger mesmo os que namoram em locais inadequados. Mas, não. Fica mais fácil fazer batidas nas ruas e interromper um romance quente com um discurso sobre segurança e o convite para sair do local.

Em Curitiba se estimula o Vizinho Solidário, aquele que cuida da casa ao lado, verifica se alguém esta tentando roubar, enfim faz o papel que é da policia.

Quem tem que vigiar as ruas é a policia. O cidadão não tem preparo, não tem arma e nem responsabilidade que é do poder público.

De outro lado, uma colaboração que pode dar bons resultados é  mudança na pauta dos tele e radiojornais brasileiros. Hoje a matéria preferida é o crime. Um ato criminoso, ou julgamento de quem cometeu um crime ganha várias inserções em quase todos os telejornais.

Ficam dois ou três dias falando sobre o mesmo crime e muitas vezes fazem reconstituição, mostrando a  habilidade  do bandido ao praticar o crime. O motorista do ônibus que foi assaltado na viagem a Foz do Iguaçu, chorando e anunciando que vai mudar de profissão, ganha grande espaço no telejornal. Os assaltos a ônibus no caminho das Cataratas do Iguaçu são parte da rotina de quem se aventura nessa rodovia.

Hoje o cidadão tem medo de sair de casa, medo de viajar, medo de participar de eventos a noite, medo dos bandidos e medo de não encontrar um policial quando mais precisa.

O bandido responsável por isso faz festa e se vangloria junto a seus comparsas quando aparece na mídia praticando um crime.  Outro que vê na TV sua imagem  captada por câmeras no local do crime, vira herói perante seus companheiros de bandidagem. Recentemente um acusado de ter matado pai e mãe, virou celebridade com direito a cobertura de seus passos desde o presidio até a sala do juiz.

O noticiário sobre a ação de marginais só interessa aos próprios bandidos que se beneficiam no seu grupo e viram celebridade entre membros da quadrilha. Exposição na mídia da status ao bandido que domina a quadrilha, e o faz crescer como líder, planejador e administrador de atos criminosos e isso aumenta seu poder de fogo.

Se é para tentar reduzir os altíssimos e vergonhosos índices de criminalidade no Brasil, seria bom começar pela mudança na pauta da televisão e do rádio. Tirar o crime e os bandidos do noticiário, seria uma medida adequada para deixar os bandidos no esquecimento e a população mais tranquila. O crime fora da telinha não vai acabar com a onda de violência e terrorismo bandido no país, mas ajuda.

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