UM PAPEL PARA O RÁDIO

Publicado em: 07/11/2006

1. Um automobile,
Dois automobiles,
Três automobiles,
Quatro automobiles,
Cinco automobiles,
Seis automobiles…
Por Eloy Simões

2. Provavelmente você, em outros tempos, cantou esse troço aí, quando queria encher o saco de alguém.
Pois bem, meu caro radialista, não fique chateado comigo, mas o rádio anda assim: chato, repetitivo. Na FM, um vitrolão. Na AM, um comunicador fazendo as coisas que o outro faz. Há, claro, como tudo na vida, uma ou outra exceção, mas não passa disso.
Está faltando um sopro novo, de renovação, de criatividade.
3. Quer uma emissora tipo vitrolão?   Tudo bem, mas – já escrevi sobre isso aqui – diga quem canta, quem toca, quem é o autor, esse cada vez mais desconhecido. Faça programas temáticos e contextualize: por que não um programa de música de protesto, capaz de mostrar para os jovens e de relembrar para os mais velhos o clima que dominava o país quando determinada canção foi composta; por que não um programa com músicas que citem orações e religiões, informando o leitor o que, por que e pra que aquele apelo. Por que não um programa com músicas que ressaltem a importância de determinado instrumento ou certo ritmo, explicando suas origens? Dão trabalho? Claro que dão, exigem pesquisa. Mas quem pesquisa, aprende. E se utilizar no rádio seus resultados, ensina.

4. Mesmo raciocínio vai para o humor. Onde anda o humor no rádio? Só na Jovem Pan e onde ela é imitada? Meu Deus! há tanta coisa que se pode fazer no rádio! E há mais: aposto que pelo país afora há um monte de gente talentosa querendo, apenas, uma chance. E o rádio é capilar – a maioria das cidades tem pelo menos uma emissora. E, amigo: duvido que onde você nasceu não tenha alguém capaz de fazer graça com inteligência e – desculpe a redundância – e graça. Não tenha receio: dê-lhe uma chance. Escancare as portas da sua emissora para gente talentosa. Construa, com ela, um novo rádio.
5. E tem as transmissões esportivas. Gente, chega de fazer o estilo Osmar Santos. Teve a era Geraldo José de Almeida; a era Fiore Giugloti; a atual era Osmar, só para citar alguns. Agora é a vez de você criar a sua era. Basta um pouco de talento, imaginação e coragem.
6. Vamos lá, gente, vamos inovar. Com criatividade. Sem autocensura. Sem medo.  Porque o rádio não pode mais continuar como aquela coisa horrível com que iniciei esta desagradável conversa.


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