Um programa de rádio que preenchia as manhãs de domingo (I)

Publicado em: 11/11/2007

Uma das coisas que mais me irritava, há pouco tempo atrás, quando ia visitar algum conhecido, amigo ou parente, era ficar olhando para a televisão ligada e só ter oportunidade de conversar no intervalo dos comerciais.
Por José Alberto de Souza

E ainda hoje não consigo entender como não se pode marcar qualquer compromisso noturno num horário mais cedo, pois o pessoal só começa a aparecer depois que termina a novela.
Assim é que fui pegando certa ojeriza pela telinha e acabei redescobrindo o prazer de ouvir o rádio do meu carro, como se estivesse conversando com algum companheiro de viagem, não obstante o protesto daqueles que reclamavam do volume alto do som, imprescindível para a empatia nessa comunicação.
Principalmente, aos domingos pela manhã, quando tomava o rumo da casa da minha irmã Lucy que morava no Partenon, a fim de esvaziar uma térmica com água quente na cuia do chimarrão e jogar conversa fora nas horas mais quietas desse dia.
Nesse trajeto, deveria gastar mais ou menos uns quinze minutos na ida e outro tanto na volta, tempo suficiente para curtir a prosa que me chegava através das ondas hertzianas.
Desta forma, eu dialogava com Raul Moreau que então apresentava o Manhã de Domingo, pela Rádio Pampa, e algumas vezes, ao chegar na volta, corria ao telefone para entrar em contato com a produtora do programa, a sua esposa Dª. Bete.
Certa feita, o nosso amigo Raul explanava sobre o desmascaramento da criatura do Lago Ness, falando da armação montada por uma equipe náutica, a qual havia confeccionado a cabeça do monstro com material plástico, isso lá pelo século XIX.
Pois eu tive o desplante de ligar para Dª. Bete, perguntando se naquela época já existia o plástico, que ela encaminhou ao Raul e ele respondeu que não poderia responder naquela hora, solicitando a sua produtora que providenciasse a compra imediata de uma enciclopédia para ficar à sua disposição já a partir do próximo domingo.
Aí, caiu-me a ficha e, na mesma hora, fiz a pesquisa em casa, onde constatei que o plástico era uma invenção bastante antiga, embora alcançasse recentemente a sua aplicação mais generalizada – sem querer, provoquei uma polêmica desnecessária.
O Raul Moreau era admirador incondicional do Ayrton Senna e das corridas de Fórmula Um, que acompanhava através dos bilhetes da produção do programa informando os resultados parciais, como naquele dia em que se preparava para entrevistar o cantor e compositor Rubens Santos, parceiro de Lupicínio Rodrigues.
Só que, nessa ocasião, passaram-lhe a notícia do terrível acidente que vitimou o Ayrton Senna, deixando-o completamente abalado, sem condições de prosseguir apresentando o restante da programação, a qual perto do seu final teve de apelar ao Rubens Santos para que fizesse o encerramento, conseguindo este levá-la a bom termo.
 


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3 respostas
  1. Claudio Laitano Santos says:

    Amigo!
    Convido-o a visitar o site Discomentando, onde, além de informações as mais diversas sobre música popular, contém alguns detalhes sobre o Programa “A Sua Manhã de Domingo”, da Rádio Pampa, na década de 60. Pretendo organizar uma página especial sobre dito programa, que era por mim produzido e apresentado. Obrigado pela atenção.

  2. Stela-Maris Fachel Nunes says:

    Olá Cláudio,gostaria de conversar com você sobre a memória do rádio.Aqui vão meus contatos: [email protected],tenho perfil no facebook e fone: 98484086. Obrigada!

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