Um segundo no rádio é uma eternidade no ar

Publicado em: 24/07/2013

Vamos falar sobre os processos de formação do locutor, as técnicas diante dos microfones e nos estúdios, a postura do profissional antes, durante e depois da fala, os tipos de locução, a definição profissional e os erros mais frequentes na locução radiofônica.

Pense comigo no que podemos fazer em um segundo. Dependendo do momento e do local, talvez haja tempo para um suspiro curto, umas duas piscadas ou até mesmo uma rápida olhada até onde os olhos alcancem.

selo-alem-da-paixaoSe pensarmos como Einstein, nossas perspectivas aumentam, pois ele provou que o tempo é relativo, conforme o local e ponto de vista do observador.

Com base nessa perspectiva, muitas coisas podem ser o que realmente não são. Por exemplo, veja o caso de uma noite estrelada, ao olharmos para o firmamento, observaremos o brilho de milhões de estrelas; várias talvez já não existam mais, pois só a luz emitida por elas chega até nós. Isso quer dizer que estamos olhando no presente para o passado. Sabe, é isso que me inquieta, o relativo.

Um segundo no rádio é relativo, pois pode ser utilizado com eficiência ou com descuido. Quando se abre o microfone e a luzinha vermelha do estúdio acende, muita coisa pode ser dita, de um movimento a outro do pêndulo de um relógio.

Esse segundo de tempo, pode se tornar uma eternidade para quem não tem nada a dizer, no entanto, pode fazer a diferença e valer uma vida se você disser a coisa certa, na hora certa, para a pessoa certa.

Assim sendo, aproveitar cada valioso segundo no rádio é um grande diferencial para o comunicador. A palavra falada pode durar um segundo quando o assunto não interessa, ou levar anos para terminar quando o nosso desejo pelo saber é despertado.

Estar no portal Caros Ouvintes é um motivo de grande satisfação, pois há anos acompanho a trajetória deste projeto. Quando Antunes Severo me convidou para compartilhar minhas idéias neste espaço, fiquei muito feliz, primeiro porque sei que por aqui passam diariamente uma enorme quantidade de pessoas que compartilham da mesma paixão que eu, o rádio. Em segundo, porque é grande minha admiração,  carinho e respeito pelo rádio catarinense, afinal tive a oportunidade de ministrar nestes últimos 20 anos através da ACAERT, dezenas de cursos de capacitação profissional junto aos radialistas do estado.

Também gostei muito do nome proposto para minha coluna: ”Além da Paixão”, bastante sugestivo para uma pessoa como eu. Vou procurar compartilhar com cada leitor a paixão em fazer rádio, entretanto, nunca esquecendo de que além da paixão, existe um universo de atitudes a serem tomadas por aqueles que escolhem o rádio como meio de sua realização pessoal e profissional.

Minha proposta neste espaço é transmitir algumas experiências da minha carreira como radialista na cidade de São Paulo. Uma metrópole encantadora, desafiadora e pulsante, todavia cheia de problemas.

Com seus congestionamentos enormes que diariamente atingem centenas de quilômetros, onde milhões de pessoas se deslocam, partem e chegam  em aviões, automóveis, trens, metrô, ônibus e a pé, na busca frenética de suas metas, objetivos e sonhos. Uma verdadeira colcha de retalhos culturais costurados por costumes e folclores diferentes. Por aqui convivem brasileiros do norte, nordeste, centro oeste, sul e sudeste, cada um ao seu jeito e maneira, formando uma aquarela de etnias.

Escolhi o rádio como profissão em meio a este turbilhão de coisas e acontecimentos, e isso me fez reconhecer que tenho a melhor profissão do mundo, pois ensino as coisas que eu mais gosto de aprender. Todavia o rádio também me fez descobrir uma triste realidade, que a minha cidade sofre de um mal incurável, denominado solidão.

O rádio nos coloca todos os dias neste universo, com milhões de pessoas sintonizadas ouvindo notícias, informações, comentários e músicas. Ele funciona como uma espécie de conexão agregadora interligando realidade e magia.  O veículo me mostrou ainda que além de estarmos  inseridos nesta rotina, passamos a integrar a vida das pessoas.

Foi assim que comecei a perceber que as coisas iam bem mais além do que a paixão.

Vou procurar trazer aos nossos leitores um conhecimento geral sobre o rádio, um dos veículos de maior credibilidade, carisma e interatividade da mídia eletrônica.

Quero propor uma viagem ao mundo da radiodifusão brasileira, abordando sobre sua história, sua chegada no Brasil, suas influências sociais, políticas e econômicas. Pretendo avaliar também as características do rádio enquanto veículo, suas linguagens e presença no regionalismo nacional.

Vamos falar sobre os processos de formação do locutor, as técnicas diante dos microfones e nos estúdios, a postura do profissional antes, durante e depois da fala, os tipos de locução, a definição profissional e os erros mais frequentes na locução radiofônica.

Nossa coluna não tem a pretensão de suplantar os conceitos já estabelecidos por grandes mestres em comunicação e de colegas profissionais, mas sim de externar de maneira objetiva as informações adquiridas durante minha vida como professor da área e profissional do rádio.

Você não imagina o quanto me gratificou, durante esses anos todos, receber muitos e-mails vindos de várias partes do Brasil, e até de outros países de língua portuguesa, nos quais os leitores contaram como o conteúdo dos meus livros e colunas colaboraram para o aprendizado, sua formação pessoal e profissional e, por que não dizer, na realização de muitos de seus sonhos.

Espero com isso poder  contribuir com o Portal Caros Ouvintes, bem como com o mercado de rádio, seus profissionais e estudantes da área, diminuindo distâncias entre pessoas e o conhecimento.

Até nossa próxima publicação.

Abraços,

Cyro César

Julho 2013

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