Uma canção para Florianópolis – 1

Publicado em: 27/09/2009

Esta é mais uma das muitas, mas pouco conhecidas, versões do Rancho do Amor à Ilha, a canção da cidade tornada hino oficial do município de Florianópolis. A interpretação é de Leonardo Bruno e Gerly com acompanhamento de coral e orquestra. Trata-se de uma prensagem especial para a Prefeitura Municipal de Florianópolis feita em 1987.

Luiz Gonzaga de Bem, em 1964 cursava a Faculdade de Direito de Santa Catarina e acabara de ser eleito vice-presidente para assuntos de Imprensa do DCE – Diretório Central dos Estudantes. Ao mesmo tempo trabalhava na assessoria de comunicação do DNER/SC – Departamento Nacional de Estradas de Rodagem. O emprego durou pouco, mal o governo militar assumiu ele foi um dos primeiros a ser demitido sob o argumento de subversão.

O futuro advogado não se deu por vencido e foi procurar emprego na mais recente emissora de Florianópolis: a Rádio Santa Catarina. Jali Meirinho, o editor chefe que inovava no jornalismo local contratou o candidato a repórter para trabalhar fazendo cobertura das atividades da Câmara Municipal de Florianópolis e da Assembléia Legislativa.

Animado pelas possibilidades que a atuação do jornalismo proporcionava o garoto Luiz Gonzaga de Bem fez parceria com Cyro Barreto – experimentado radialista – e juntos criaram a coluna Vitrine Legislativa no jornal Diário Catarinense, então dirigido por Alírio Bossle
.
Dado o dinamismo de sua atuação, o jovem repórter é convidado a ocupar a assessoria de comunicação do vereador Jorge Pinheiro que exercia as funções de líder do PDC – Partido Democrata Cristão – e do governo Municipal onde pontificava o general Paulo Weber Vieira da Rosa, popularmente conhecido como general Rosinha e que fora nomeado prefeito da Capital pelo governo militar. O inusitado é que as relações entre o prefeito e o jornalista não eram nada amistosas, pois Vieira da Rosa, logo após o golpe militar, movera processo contra Luiz Gonzaga de Bem por ter este publicado “matéria desabonadora no jornal Reforma (da UCE) no início do ano”.

Agora, porém, a situação mudara. O general ocupava um cargo político e o jornalista dispunha de espaços em dois veículos de comunicação locais. Jorge Pinheiro conseguira harmonizar os interesses de ambas as partes.

Um dos primeiros desafios para o novo assessor veio de uma reunião com os secretários de Finanças Ivan Matos e o de Administração Jauro Dêntice Linhares. É que o prefeito precisava elevar os impostos e tendo em vista a sua condição de militar nomeado para o cargo isso pegaria mal. Os secretários deixaram claro que o novo assessor deveria criar um fato com repercussão positiva que pudesse popularizar a administração do general Viera da Rosa, amenizando o impacto dos aumentos do IPTU.

Com pouca experiência, Luiz Gonzaga de Bem pediu ajuda ao colega Donato Ramos então diretor artístico da Rádio Santa Catarina e, portanto, tinha experiência em eventos promocionais. Da conversa surgiu a idéia de se realizar um concurso para eleger Uma Canção para Florianópolis. Em favor da sugestão destaca-se o fato de que todos os anos, pelo menos duas emissoras locais realizavam concursos para eleger as melhores músicas do carnaval da cidade.

E não deu outra: a idéia do concurso foi  aprovada pelo prefeito, o concurso foi realizado e a música escolhida foi tal sucesso que virou o hino oficial da cidade, mas isto é conversa para as próximas edições.

4 respostas
  1. DONATO RAMOS says:

    Parabéns, Antunes Severo, por “ressuscitar” a História. Sobre Zininho, algo importante está sendo feito pela filha, Cláudia, e eu já tive a oportunidade de ver esse levantamento histórico da produção musical do Cláudio Alvin Barbosa.
    Agora, e já falamos sobre o assunto, devemos encontrar os personagens daquele Festival, porque alguns ainda estão no nosso convívio e outros por aí.
    Assim, o CAROS OUVINTES poderia convocá-los ou os seus descendentes e promovermos uma segunda versão daquele Festival, no mesmo local, e nós dois, outra vez de smoking, suando por todos os poros, num auditório sem ar condicionado como era naquele dia o Álvaro de Carvalho, com o termômetro marcando perto de 40 graus. Só prá lembrar. O que acha?
    [email protected]

  2. Antunes Severo says:

    Acho que você continua o cara doidamente maravilhoso que sempre foi. A sugestão está no ar. Vamos ver se aparecem os demais integrantes do time dos Mosqueteiros.

  3. Luiz Gonzaga de Bem says:

    Caro Antunes
    A matéria em apreço me proporcionou muitos momentos de alegria. É que a minha família e os meus amigos desconheciam o fato que num feliz resumo foi divulgado pelo “Caros Ouvintes”. Ao mesmo tempo em que te parabenizo e agradeço pela lembrança, gostaria, se me for permitido, de oferecer alguns esclarecimentos. 1) Fui, no período anterior ao golpe de 64, Vice-Presidente para os Assuntos de Imprensa da União Catarinense de Estudsntes – UCE e não do DCE; 2)No DNER estava lotado na Procuradoria Jurídica e não era, pois, Assessor de Comunicação; 3)Tão logo fui demitido do DNER pelo Ato Institucional n° 01 do Castelo Branco, fui procurado pelo Diretor Comercial da Rádio Santa Catarina, Edson Silveira, já falecido, para, sob às ordens do jornalista Jali Meirinho cobrir os trabalhos da Assembléia Legislativa e da Câmara Municipal; 4)Não se deve confundir o antigo Diário Catarinense, pertencente aos Diários Associados do Chateabriand, com o hoje existente; 5)O Vereador Jorge Pinheiro me convidou para Assessor de Imprensa da Prefeitura e não para lhe assessorar. Àquela época os Vereadores da Capital não imaginavam que um dia teriam tantos assessores como atestam os dia de hoje. Mais de dez, todos sem concurso como manda a Constituição Federal.

  4. Antunes Severo says:

    Caro, é muito gratificante poder contar com a colaboração de quem efetivamente foi ator e não espectador da história. Assim podemos levar uma informação mais rita e próxima da realidade dos fatos. Nada como ter o depoimento do “testemunha ocular da história” como se auto-identificava o Repórter Esso, lembra?

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