Uma canção para Florianópolis – 3

Publicado em: 12/10/2009

O concurso Uma Canção para Florianópolis previa, dentre outras condições, que os concorrentes deveriam entregar no ato de inscrição uma cópia gravada de sua música. Para facilitar o cumprimento dessa obrigatoriedade a Rádio Diário da Manhã disponibilizou seus estúdios e o conjunto musical RDM para as gravações. Alguns autores, com recursos próprios gravaram em outros locais. É o caso de Ilha Encantadora presumidamente de Agobar dos Santos que você pode ouvir agora.

A pauta desta edição lembra o compromisso da semana passada: falar da organização, do concurso, dos concorrentes, dos intérpretes e dos resultados. A organização do concurso ficou a cargo de Donato Ramos, experiente profissional e naquele momento também diretor Artístico da Rádio Santa Catarina, emissora onde trabalhava como repórter político Luiz Gonzaga de Bem, então estudante de Direito. De Bem à época respondia pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal. Os concorretes poderiam ser músicos profissionais ou não desde que residentes no País. O concurso teve âmbito nacional, embora a principal participação tenha vindo de compositores locais.

Nossa pesquisa, até o momento, identificou os seguintes concorrentes e suas músicas:
1 – Ilha encantadora – Agobar Santos
2 – Linda capital – Walter Souza
3 – Florianópolis – Osvaldo Soares
4 – Terra Querida – 0. G. Santos
5 –  Hino Popular à Florianópolis – Lupércio Bezerra
6 – Ilha – Altair Debona Castelan – duas gravações
7 – Minha terra – C. Di Bernardi
8 – Dobrado canção – Brasílio Machado

Foram classificadas:
Em quarto lugar: A Ilha de Altair Debona Castelan
Em terceiro lugar: Cidade Mulher de Abelardo de Souza
Em segundo lugar: Florianópolis, meu torrão de José Cardoso (Zequinha)
Em primeiro lugar: Rancho o Amor à Ilha de Cláudio Alvim Barbosa (Zininho).

Quanto aos intérpretes, nem todos estão identificados no registro das gravações que possuímos. Portanto, serão mencionados na medida em que as músicas forem apresentadas neste relato.

Dos resultados temos o depoimento do professor, compositor e poeta Abelardo de Souza, publicado originalmente na revista A Verdade nº 25, de junho de 1981 e reproduzido no livro Zininho – uma canção para Florianópolis de Ricardo Medeiros, Dieve Oehme e Cláudia Barbosa, editado pela Insular em 2000. Do depoimento destacamos: “Estávamos na fase de ensaios e gravações das músicas que iriam participar do concurso promovido pela Prefeitura Municipal de Florianópolis (Uma Canção para Florianópolis), marco significativo da administração do nobre General Paulo Weber Viera da Rosa. O certame apontou, ao seu final, o Rancho do Amor à Ilha como primeira música colocada. Eu compusera a marcha Cidade Mulher, que obteve o 3º lugar. O segundo colocado foi o inspirado Zequinha, com a marcha Florianópolis, meu Torrão e o 4º lugar coube ao apreciado pianista Castelan, que apresentou a marcha A Ilha”.
No seu registro o professor Abelardo anota ainda duas observações que valem ser revividas:

A primeira: “Um detalhe: na noite daquele evento, deixamos o Teatro pela porta dos fundos. Conosco, estava o cantor Jamelão, então em visita à Capital. Comentávamos os resultados do julgamento e o fabuloso intérprete de Folha Morta (Ari Barroso), já ‘a meia-nau’ opinou sobre a classificação da marcha do Castelan: ‘Música cantada por conjunto vocal jamais ganhou concurso. Se o moço entregasse a um só intérprete talvez o resultado fosse outro’.

A segunda: “Bem, pedi a Neide Maria que defendesse a minha composição. Não sabia que ela já estava comprometida com o Zininho para cantar o Rancho. Quando o soube, quis recuar, mas foi o próprio Zininho quem fez questão de que cantasse também a minha música. E parece que o vejo agora, na sala de ensaios da Diário da Manhã, comandando a gravação das músicas inscritas. La estava o bom amigo, saboreando o seu rubro Campari e, logo que me viu, foi gritando para a Neide, que estava em outra sala:
– Neide! Ô Neide! O seu Abelardo está aqui. Vamos gravar Cidade Mulher.
E tratou a minha composição como se sua fosse. Gesto nobre e raro esse de Zininho, de sobrepor à disputa, amizade e cordialidade. Um gesto que ficou a definir uma personalidade”.

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