Uma data nacional para o canto

Publicado em: 09/09/2007

Na semana passada, a cantora do momento aqui em Porto Alegre, Adriana Deffenti, se apresentou no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, acompanhada pelos violonistas Marcelo Corsetti e Ângelo Primon. Cantora e músicos, antes do espetáculo, participaram de encontro com o público no auditório da Rádio da Universidade.
Por José Alberto de Souza

Mas, o que gostaria de comentar é o fato, por si só sintomático, de que essa emissora já começa a dar mostras, embora de uma maneira discreta, da possibilidade de se manter uma programação de auditório, o que a grande mídia faz questão de desconhecer.
Atualmente, a maioria das rádios locais está aí se amontoando nos jogos de futebol e no noticiário já gravado e repetido de hora em hora, sem proporcionar uma melhor opção de variedades para o público ouvinte. Nos fins de semana, então costumam empurrar madrugada adentro a programação mais qualificada para que se arrastem os comentários esportivos num horário esticado desnecessariamente após o término das partidas.
Recentemente, a nossa Rainha do Rádio – Maria Helena Andrade – lançou o CD Uma Luz a Brilhar com espetáculo apresentado no Auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, cujas dependências ficaram inteiramente tomadas pelo público presente, demonstrando que existe demanda para esse tipo de evento.
Uma produção exuberante em termos de palco e assistência que não teve qualquer patrocínio público ou privado, a não ser a vontade férrea do seu sobrinho Newton Santos que bancou a totalidade dos gastos, convocando a competente Silvana Prunes para dirigir o considerável número de artistas em cenas de música, canto e dança.
Anteriormente, o veterano Fernando Collares, outro dos remanescentes cantores da época áurea do nosso rádio, também com recursos próprios, havia lançado o seu CD Rua da Praia em concorrido show no Bar Temático Se Acaso Você Chegasse, que contou com a presença do cantor e compositor Tito Madi, autor da melodia que dava título àquele disco, vindo de São Paulo especialmente para essa ocasião. Sabemos ainda das dificuldades encontradas para lançarem as suas gravações, já prontas, por Ruth Regina e Roberto Gianoni, outrora famosos cantores do cast milionário da Rádio Farroupilha.
Em 2002, a Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, então presidida pelo deputado Sérgio Zambiazi, patrocinou um espetáculo memorável comemorativo aos 80 anos do Rádio Brasileiro, também produzido pela extraordinária capacidade de Silvana Prunes, resultando em meticulosa pesquisa dos momentos marcantes da história radiofônica do país – noticiário, narrativas de importantes competições, esquetes de novelas, programas de auditório, depoimentos de monstros sagrados da transmissão gaúcha.
Foi mais um encontro dessas vozes maviosas que o tempo ainda não conseguiu emudecer, mas que ainda permanecem com o seu timbre de sonoridade, entre eles Fernando Collares, Jussara Souza, Luiz Otávio, Maria Helena Andrade, Roberto Gianoni, Ruth Regina e Terezinha Dias. Isto sem falar na tenacidade de Lourdes Rodrigues e Plauto Cruz, os quais ainda sobrevivem de apresentações em várias de nossas casas noturnas.
Certa ocasião comentei com o comunicador Glênio Reis sobre essa luta para conseguir espaço em nosso circuito cultural que permita aos notáveis instrumentistas e cantores mostrarem o seu trabalho daquela saudosa época. Pois bem, o Glênio falou-me que essa situação poderia ser amenizada com a instituição de uma data nacional ao Cantor do Rádio, em que seriam requisitados artistas remanescentes de várias fases, programando-se shows e entrevistas através de veículos de comunicação interessados em arrancar do ostracismo tantos nomes que deram sua contribuição à nossa cultura musical.
 


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